Vale do Rio Guaribas: os cinco municípios com menor qualidade de vida no ranking do IPS 2026
Dados do Índice de Progresso Social revelam que Monsenhor Hipólito, Itainópolis, Pio IX, Paquetá e Alagoinha do Piauí estão na parte inferior do território; todos evoluíram em relação a 2024, mas seguem distantes das médias estadual e nacional
Vista aérea de Monsenhor Hipólito (Imagem: cidadesnanet)
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado em maio pelo IPS Brasil e Instituto Imazon, em parceria com diversas instituições, revelou o retrato da qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros. No Território de Desenvolvimento Vale do Rio Guaribas, composto por 23 municípios do Sudeste piauiense, cinco deles ocupam as últimas posições. Juntos, Monsenhor Hipólito (56,00), Itainópolis (56,45), Pio IX (57,12), Paquetá (57,37) e Alagoinha do Piauí (57,64) formam o grupo que mais precisa de atenção em termos de progresso social. Apesar dos desafios, todos apresentaram evolução positiva em relação ao IPS 2024 — um sinal de que as condições, embora ainda críticas, estão em movimento de melhoria.
1. Os cinco municípios na parte inferior do ranking
|
Posição território |
Município |
IPS 2026 |
Ranking PI (224) |
VA ICMS 2024 (R$) |
População IBGE 2025 |
VA per capita |
|
23º |
Monsenhor Hipólito |
56,00 |
175º |
11.909.317,40 |
7.762 |
1.534,31 |
|
22º |
Itainópolis |
56,45 |
171º |
25.191.585,39 |
10.969 |
2.296,62 |
|
21º |
Pio IX |
57,12 |
148º |
43.432.401,31 |
17.948 |
2.419,90 |
|
20º |
Paquetá |
57,37 |
143º |
6.730.433,90 |
3.873 |
1.737,78 |
|
19º |
Alagoinha do Piauí |
57,64 |
134º |
12.575.135,68 |
6.876 |
1.828,84 |
1.1. Monsenhor Hipólito — 56,00 pontos (4704º nacional)
Com a menor nota do território, Monsenhor Hipólito ocupa a 175ª posição no ranking estadual e a 4704ª no nacional. O município, que tem 7.762 habitantes e Djalma Policarpo (PP) como prefeito reeleito, saiu de 52,61 pontos em 2024 para 56,00 em 2026 — um acréscimo de 3,39 pontos. A evolução é relevante, mas o índice ainda está 9,4 pontos abaixo da média do Piauí (60,48) e 11,4 pontos abaixo da média Brasil (63,40). Quando comparado ao líder nacional, Gavião Peixoto/SP (73,10), a diferença salta para 17,1 pontos.
Sua economia local, medida pelo Valor Adicionado (VA) do ICMS de 2024, foi de R$ 11,9 milhões, com VA per capita de R$ 1.534,31, um volume econômico modesto, o menor desse grupo.
1.2. Itainópolis — 56,45 pontos (4565º nacional)
Itainópolis registrou uma das maiores evoluções entre os cinco: saltou de 52,35 (2024) para 56,45 (2026), uma alta de 4,10 pontos. O prefeito reeleito, professor Miguel Rodrigues (PDT), comanda um município que abriga aproximadamente 11 mil habitantes. Apesar do avanço expressivo, a nota ainda está 4,03 pontos abaixo da média estadual.
O município tem o segundo maior VA desse grupo, de R$ 25,2 milhões, uma população estimada em 2025 de 10.969 habitantes, e um VA per capita de R$ 2.296,62.
1.3. Pio IX — 57,12 pontos (4329º nacional)
Pio IX é o mais populoso entre os cinco, com estimados 17.948 habitantes, e também o de maior Valor Adicionado: R$ 43,4 milhões, reflexo de uma economia local mais dinâmica. O prefeito reeleito, Silas Noronha (PSD), está à frente de um município que evoluiu 3,79 pontos desde 2024 (de 53,33 para 57,12). A pergunta que os dados impõem: por que o município com a maior base econômica do grupo não consegue converter essa vantagem em melhores indicadores sociais? O VA per capita de R$ 2.419,90 é o mais alto entre os cinco, mas o IPS ainda é baixo — sinal de que a eficiência da conversão entre riqueza gerada e qualidade de vida precisa ser investigada.
1.4. Paquetá — 57,37 pontos (4238º nacional)
Com apenas 3.873 habitantes, Paquetá é a menor cidade entre as cinco. O prefeito reeleito, Dr. Clayton Barros (PP), administra um município cujo IPS 2026 de 57,37 representa uma evolução modesta de +1,86 ponto em relação a 2024 (55,51). O VA ICMS de R$ 6,7 milhões posiciona o município com a segunda menor base econômica do grupo, com um VA per capita de R$ 1.737,78. A evolução lenta sugere dificuldade em acelerar melhorias estruturais com uma base fiscal tão estreita.
1.5. Alagoinha do Piauí — 57,64 pontos (4123º nacional)
Alagoinha do Piauí é o município que mais evoluiu entre os cinco: saiu de 52,56 em 2024 para 57,64 em 2026, um avanço expressivo de +5,08 pontos — o maior do grupo. O prefeito em primeiro mandato, Dr. Pedro Otacílio (PSD), assumiu em 2025 e já colheu no IPS o primeiro resultado positivo de sua gestão. A economia local, no entanto, é frágil: VA ICMS de R$ 12,5 milhões, o terceiro menor do grupo, população estimada em 2025 pelo IBGE de 6.876 habitantes, com VA per capita de R$ 1.828,84. A grande evolução no IPS em um cenário de baixa atividade econômica levanta uma hipótese promissora: políticas públicas focadas em saneamento, saúde e educação básica podem estar surtindo efeito mesmo sem grande expansão econômica.
2. Evolução 2024–2026: Todos Melhoraram, Mas em Ritmos Diferentes
Um dado importante: todos os cinco evoluíram positivamente em relação ao IPS 2024. A média de evolução do grupo foi de +3,64 pontos, essencialmente idêntica à média do território (+3,61). Isso significa que os cinco estão acompanhando o ritmo de melhoria regional, mas partindo de uma base mais baixa — o que não é suficiente para reduzir a distância.
|
Município |
IPS 2024 |
IPS 2026 |
Evolução |
Ranking na Evolução (23 municípios) |
|
Alagoinha do Piauí |
52,56 |
57,64 |
+5,08 |
6º |
|
Itainópolis |
52,35 |
56,45 |
+4,10 |
9º |
|
Pio IX |
53,33 |
57,12 |
+3,79 |
13º |
|
Monsenhor Hipólito |
52,61 |
56,00 |
+3,39 |
15º |
|
Paquetá |
55,51 |
57,37 |
+1,86 |
19º |
Fonte: ipsbrasil.org.br
Destaques:
- Alagoinha do Piauí teve a maior evolução do grupo (+5,08) — e é o único com prefeito em primeiro mandato.
- Paquetá teve a menor evolução (+1,86) e caiu para a 19ª posição no ranking de evolução entre os 23 municípios — um sinal de que a gestão reeleita precisa acelerar o passo.
3. Análise crítica: o que os números nos dizem?
Comparação com as referências
|
Indicador |
Média dos 5 |
Média do Vale do Guaribas |
Média do Piauí |
Média Brasil |
Gavião Peixoto/SP |
|
IPS 2026 |
56,92 |
60,20 |
60,48 |
63,40 |
73,10 |
|
Diferença |
— |
-3,28 |
-3,56 |
-6,48 |
-16,18 |
Fonte: ipsbrasil.org.br
Os cinco municípios estão significativamente abaixo de todas as referências. Sua média (56,92) fica 3,56 pontos abaixo da média do Piauí e 6,48 abaixo da média nacional — um gap (descompasso) que representa anos de investimento em políticas públicas estruturais.
4. Quatro prefeitos reeleitos, um novato — e a continuidade em xeque
Um dos dados que mais chama atenção na análise de gestão: quatro dos cinco prefeitos foram reeleitos em 2024 — Djalma Policarpo (PP) em Monsenhor Hipólito, Professor Miguel Rodrigues (PDT) em Itainópolis, Silas Noronha (PSD) em Pio IX e Dr. Clayton Barros (PP) em Paquetá. Apenas Dr. Pedro Otacílio (PSD), em Alagoinha do Piauí, está em primeiro mandato.
Do ponto de vista democrático, a reeleição reflete aprovação popular. Mas, do ponto de vista da eficiência da gestão pública, ela impõe uma questão delicada, sobre quais são as prioridades na aplicação dos recursos públicos.
Monsenhor Hipólito, por exemplo, teve VA ICMS de R$ 9,72 milhões — mas tem o menor IPS do grupo. A relação entre o que o município arrecada (via ICMS) e o que entrega em qualidade de vida é a mais desfavorável entre os cinco.
Pio IX tem o VA mais de 6 vezes maior que Paquetá, mas seu IPS é apenas 0,25 ponto maior. A eficiência de conversão é a mais baixa do grupo.
Alagoinha do Piauí, com o novo prefeito, teve a maior evolução (+5,08) — sinal de que mudança na gestão pode ter efeitos positivos imediatos.
4.1. Gestão e Continuidade: Os Frutos da Reeleição
|
Município |
Prefeito(a) 2024 |
Partido |
Status |
IPS 2026 |
Evolução |
VA ICMS (R$) |
|
Monsenhor Hipólito |
Djalma Policarpo |
PP |
Reeleito |
56,00 |
+3,39 |
11.909.317,40 |
|
Itainópolis |
Prof. Miguel Rodrigues |
PDT |
Reeleito |
56,45 |
+4,10 |
25.191.585,39 |
|
Pio IX |
Silas Noronha |
PSD |
Reeleito |
57,12 |
+3,79 |
43.432.401,31 |
|
Paquetá |
Dr. Clayton Barros |
PP |
Reeleito |
57,37 |
+1,86 |
6.730.433,90 |
|
Alagoinha do Piauí |
Dr. Pedro Otacílio |
PSD |
1º mandato |
57,64 |
+5,08 |
12.575.135,68 |
Fontes: ipsbrasil.org.br / TSE /TCE-PI
4.2. O Que os Números Revelam:
Reeleição não é garantia de aceleração.
Dos quatro prefeitos reeleitos, três estão na lanterna do território — e Paquetá, com a menor evolução do grupo (+1,86), é o caso mais preocupante. Se um grupo político tem oito anos (ou mais) para transformar o município e ele continua entre os piores do estado, cabe questionar a efetividade das políticas adotadas.
Alagoinha do Piauí sugere que renovação pode gerar resultado.
Com o novo prefeito, o município teve a maior evolução entre os cinco: +5,08 pontos, saltando da 22ª para a 19ª posição no território. Isso sugere que mudança na gestão, combinada com planejamento focado, pode reverter trajetórias.
Pio IX é o caso mais grave.
O prefeito reeleito administra o terceiro maior orçamento (via ICMS) do território, mas entrega o terceiro pior IPS. A discrepância entre VA e IPS em Pio IX é a maior do Vale do Guaribas. É um caso que merece investigação aprofundada sobre a alocação dos recursos públicos.
5. A Correlação VA ICMS × IPS: O Paradoxo da Conversão
O Valor Adicionado (VA) do ICMS mede a riqueza gerada por cada município — quanto maior o VA, maior a atividade econômica e, em tese, maior a capacidade de investimento. Mas os dados do Vale do Guaribas mostram que essa relação não é automática.
5.1. A Tabela da Eficiência de Conversão
Acompanhe a tabela da eficiência na conversão entre VA ICMS e IPS, dos cinco municípios de menor IPS do território Vale do Rio Guaribas. Quanto maior o VA e menor o IPS, pior a eficiência:
|
Grupo |
Município |
IPS 2026 |
VA ICMS 2024 (R$) |
Eficiência (IPS / VA per capita) |
|
🔴 Lanterna |
Pio IX |
57,12 |
43.432.401,31 |
Crítica |
|
🟡 |
Itainópolis |
56,45 |
25.191.585,39 |
Baixa |
|
🟡 |
Monsenhor Hipólito |
56,00 |
11.909.317,40 |
Baixa |
|
🟢 |
Alagoinha do Piauí |
57,64 |
12.575.135,68 |
Média |
|
🟢 |
Paquetá |
57,37 |
6.730.433,90 |
Média |
O caso Pio IX é o mais emblemático:
Com R$ 43,4 milhões de VA ICMS — o terceiro maior do território, atrás apenas de Picos (R$ 1,18 bilhão) e Santo Antônio de Lisboa (R$ 63,2 milhões) —, Pio IX deveria ter capacidade de investimento muito superior a municípios como Paquetá (R$ 6,7 milhões) ou Alagoinha (R$ 12,6 milhões). No entanto, seu IPS (57,12) é apenas 0,25 ponto maior que o de Paquetá (57,37) e 0,52 ponto menor que o de Alagoinha (57,64).
A conclusão é direta: Pio IX gera 6,4 vezes mais riqueza que Paquetá, mas entrega praticamente o mesmo resultado social. Onde estão sendo aplicados os recursos?
5.2. Comparação com o Topo do Território
|
Grupo |
Município |
IPS 2026 |
VA ICMS 2024 (R$) |
|
🔴 Pior do grupo |
Pio IX |
57,12 |
43.432.401,31 |
|
🟢 Topo |
Picos |
65,01 |
1.185.253.901,71 |
|
🟢 Topo |
Sussuapara |
64,39 |
19.027.200,32 |
|
🟢 Topo |
Dom Expedito Lopes |
63,05 |
18.371.062,20 |
|
🟢 Topo |
Francisco Santos |
62,98 |
18.327.707,49 |
Sussuapara é o contraponto perfeito: com VA ICMS de apenas R$ 19 milhões — menos da metade de Pio IX —, alcançou 64,39 pontos, o segundo maior IPS do território. Sua eficiência de conversão é a melhor do Vale do Guaribas, provando que o segredo não está no volume de recursos, mas na qualidade da gestão.
6. A DISTÂNCIA PARA AS REFERÊNCIAS
A comparação entre a média dos cinco lanternas e as referências ilustra o tamanho do desafio.
6.1. Tabela Comparativa
|
Referência |
IPS 2026 |
Diferença para a Média dos 5 (56,92) |
|
Média dos 5 menores |
56,92 |
— |
|
Média do Vale do Guaribas (23 mun.) |
60,20 |
+3,28 |
|
Média do Piauí * |
60,48 |
+3,56 |
|
Média do Brasil * |
63,40 |
+6,48 |
|
Picos (1º do território) |
65,01 |
+8,09 |
|
Gavião Peixoto / SP (1º do Brasil) * |
73,10 |
+16,18 |
Fonte: ipsbrasil.org.br
7. Análise Crítica: Onde Está o Gargalo?
Os dados permitem ir muito além da superfície. Não se trata apenas de apontar que a dimensão Oportunidades (OPO) é a mais crítica — isso já se sabe. A questão é: quais indicadores específicos estão puxando cada município para baixo? E por que, mesmo com trajetórias de melhoria, eles não conseguem acelerar?
A resposta está no cruzamento entre os 12 componentes que formam as três dimensões. Cada município tem um perfil de gargalo diferente — e é essa individualidade que precisa ser compreendida para que as políticas públicas sejam cirúrgicas, não genéricas.
7.1. Monsenhor Hipólito — IPS 56,00 (175º no PI)
O caso mais crítico do território, com a pior nota em Necessidades Humanas Básicas.
|
Dimensão |
Nota |
Posição relativa entre os 5 |
|
Necessidades Humanas Básicas (NHB) |
64,47 |
🟡 5º (pior) |
|
Fundamentos do Bem-Estar (FBE) |
57,99 |
🟡 4º |
|
Oportunidades (OPO) |
45,56 |
🟢 1º (melhor do grupo) |
É o único caso em que Oportunidades não é a dimensão mais crítica — e isso não é um mérito, mas sim um reflexo do grave colapso nas necessidades mais básicas. Enquanto os demais municípios do grupo têm na NHB seu ponto menos ruim, Monsenhor Hipólito tem ali seu calcanhar de Aquiles.
Indicadores críticos em NHB (Necessidades Humanas Básicas):
- Mortalidade Infantil: 30,08 — a pior do grupo e mais de 3 vezes a taxa de Paquetá (9,53). Este número, isoladamente, já justifica a posição do município.
- Hospitalizações: 2.485,62 — a mais alta do grupo por larga margem. Itainópolis, o segundo colocado, tem 499,6 — ou seja, Monsenhor Hipólito hospitaliza 5 vezes mais sua população. Isso sugere que a atenção primária não está conseguindo evitar o agravamento de doenças.
- Paredes Adequadas: 80,02 — a pior taxa do grupo, indicando que 20% das moradias não têm paredes de alvenaria.
- Subnutrição: 4,43 — a segunda pior do grupo.
Indicadores críticos em OPO (apesar de ser o melhor do grupo):
- Assassinatos de Jovens: 11,14 — o pior do grupo, e um dos piores do estado. É um indicador que denuncia falha na proteção da juventude.
- Homicídios: 15,49 — pior do grupo e quase 3 vezes a taxa de Paquetá (0).
- Suicídios: 41,31 — o pior do grupo por larga margem. Para efeito de comparação, Itainópolis tem 12,7. O número de Monsenhor Hipólito é mais de 3 vezes maior e acende um alerta gravíssimo sobre saúde mental.
- Acesso a Programas de Direitos Humanos: 13 — o único município do grupo com indicador de dois dígitos e o melhor entre os 5, mas ainda baixo em termos absolutos.
Diagnóstico: Monsenhor Hipólito não precisa de políticas de "oportunidades" agora. Precisa de água tratada, moradia digna, atenção básica à saúde e programas de saúde mental urgentes. Antes de pensar em inclusão produtiva, a população precisa sobreviver e ter o mínimo de bem-estar físico.
7.2. Itainópolis — IPS 56,45 (171º no PI)
O caso com o maior desequilíbrio entre dimensões: bom em FBE, péssimo em OPO.
|
Dimensão |
Nota |
Posição relativa entre os 5 |
|
Necessidades Humanas Básicas (NHB) |
67,31 |
🟡 4º |
|
Fundamentos do Bem-Estar (FBE) |
60,00 |
🟢 1º |
|
Oportunidades (OPO) |
42,05 |
🔴 5º (pior) |
Itainópolis é o caso mais paradoxal do grupo. É o único município entre os cinco que conseguiu fazer os Fundamentos do Bem-Estar ultrapassarem a barreira dos 60 pontos — praticamente empatado com Sussuapara (60,60), uma cidade do Top 2 do território. No entanto, sua nota em Oportunidades é a pior do grupo (42,05), e a segunda pior de todo o Vale do Guaribas.
O que funciona em FBE:
- Cobertura Vacinal: 91,68 — a segunda melhor do grupo, sinal de que a atenção primária em imunização é efetiva.
- IDEB Ensino Fundamental: 4,53 — acima da média do grupo.
- Reprovação Escolar: 0,18 — a melhor do grupo, indicando que, quando as crianças estão na escola, elas progridem.
- Abandono no Ensino Fundamental: 0,28 — também o melhor do grupo.
O que não funciona em OPO:
- Acesso a Programas de Direitos Humanos: 3 — baixo, como a maioria do grupo.
- Acesso a Cultura e Lazer: 2 — muito baixo.
- Ações para Direitos de Minorias: 0 — zero absoluto, assim como os demais.
- Distorção de Idade: 33,66 — a segunda pior do grupo, indicando que muitos alunos estão atrasados em relação à série esperada.
O dado mais alarmante:
- Violência contra Mulheres: 150,77 — a mais alta do grupo e a segunda mais alta de todo o território. É um número que clama por políticas de proteção à mulher, delegacias especializadas e redes de acolhimento.
Diagnóstico: Itainópolis tem uma base de bem-estar que funciona — vacina, escola, aprovação — mas falha completamente em oferecer perspectivas de futuro para sua população. A juventude estuda, mas não encontra oportunidades de trabalho qualificado, acesso à cultura ou inclusão produtiva. O resultado é evasão, distorção e, no caso das mulheres, violência generalizada.
7.3. Pio IX — IPS 57,12 (148º no PI)
O maior paradoxo fiscal do território: a riqueza que não virou progresso.
|
Dimensão |
Nota |
Posição relativa entre os 5 |
|
Necessidades Humanas Básicas (NHB) |
69,48 |
🟢 1º |
|
Fundamentos do Bem-Estar (FBE) |
57,16 |
🔴 5º (pior) |
|
Oportunidades (OPO) |
44,71 |
🟡 3º |
Pio IX é o município mais populoso (17.948 hab.), com o maior PIB per capita (R$ 13.040,73) e o maior VA ICMS do grupo (R$ 43,4 milhões). No entanto, tem a pior nota em Fundamentos do Bem-Estar entre os cinco — a dimensão que mede exatamente a capacidade de transformar recursos em qualidade de vida.
Indicadores críticos em FBE:
- Cobertura de Internet: 36,33 — a pior do grupo, e uma das piores do território. Em pleno 2026, Pio IX tem apenas 36% de cobertura de internet. Isso significa que 64% da população está excluída digitalmente — sem acesso à informação, serviços públicos digitais, educação a distância ou oportunidades de trabalho remoto.
- Reprovação Escolar: 0,76 — a segunda pior do grupo.
- Abandono no Ensino Médio: 8,38 — o segundo pior do grupo.
- Expectativa de Vida: 70,47 — a melhor do grupo, mas ainda abaixo da média nacional.
Indicadores preocupantes em NHB (apesar de ser o melhor do grupo):
- Homicídios: 11,12 — o segundo pior do grupo.
- Assassinatos de Jovens: 9,02 — o segundo pior.
- Mortes por Acidentes: 41,17 — o pior do grupo por larga margem. Itainópolis, que vem em segundo, tem 29,06. Isso sugere problemas graves de segurança viária, iluminação pública ou sinalização.
- Violência contra Mulheres: 92,90 — a segunda pior do grupo.
- Violência contra Negros: 35,03 — a segunda pior do grupo.
Diagnóstico: Pio IX é o caso que mais provoca reflexão. Com o maior orçamento e a maior população, deveria ter as melhores notas — mas não tem. A falta de conectividade (36% de internet) é um símbolo do problema: o município gera riqueza, mas não investe em infraestrutura de futuro. Os indicadores de violência (homicídios, assassinatos de jovens, mortes por acidente, violência contra mulheres e negros) sugerem que a gestão da segurança pública e da mobilidade urbana não acompanhou o crescimento econômico.
7.4. Paquetá — IPS 57,37 (143º no PI)
O menor município, com a evolução mais lenta e gargalos de infraestrutura.
|
Dimensão |
Nota |
Posição relativa entre os 5 |
|
Necessidades Humanas Básicas (NHB) |
68,14 |
🟡 3º |
|
Fundamentos do Bem-Estar (FBE) |
58,92 |
🟢 2º |
|
Oportunidades (OPO) |
45,03 |
🟡 4º |
Paquetá, com apenas 3.873 habitantes, tem a segunda melhor nota em NHB e FBE do grupo — uma performance relativamente boa para seu porte. No entanto, a evolução de apenas +1,86 pontos entre 2024 e 2026 é a mais lenta, sugerindo que o município pode estar estagnado em um platô de difícil superação.
Indicadores críticos em NHB:
- Índice de Abastecimento de Água: 17,63 — a pior do grupo e uma das piores do estado. Apenas 17,6% da população tem acesso a abastecimento adequado de água. Isso é gravíssimo para um município do semiárido nordestino.
- Perdas de Água: 47,05 — a segunda pior do grupo, indicando que, mesmo onde há abastecimento, quase metade da água se perde na distribuição.
- Coleta de Resíduos: 23,26 — a pior do grupo, significando que 77% da população não tem coleta regular de lixo.
- Paredes Adequadas: 57,04 — a pior do grupo, indicando que 43% das moradias não têm paredes de alvenaria.
- Iluminação Elétrica: 91,37 — a pior do grupo.
Indicador crítico em FBE/Oportunidades:
- Distorção de Idade: 44,90 — a pior do grupo e uma das piores do estado. Quase metade dos alunos está com idade acima da esperada para a série cursada. Isso indica repetência, entrada tardia na escola ou abandono temporário.
Pontos positivos:
- Mortalidade Infantil: 9,53 — a melhor do grupo, um número excelente para o semiárido.
- Homicídios: 0 — zero homicídios, um indicador de segurança invejável, embora possa refletir subnotificação.
- Violência contra Mulheres: 0 — mas pode ser mais um reflexo de subnotificação do que de segurança real. Em março de 2025, Jairane Moura da Silva, que estava grávida, e seus dois filhos, Vinícius Emanuel Moura da Silva (6 anos) e João Gabriel Moura da Silva (8 anos), foram encontrados mortos dentro de casa. O principal suspeito e ex-companheiro da vítima, Jeneilton Araújo (conhecido como Neilton), foi preso após uma intensa caçada policial em uma área de mata no interior do estado.
Diagnóstico: Paquetá tem um perfil bifurcado. Conseguiu controlar a mortalidade infantil e a violência letal — indicadores que dependem mais de políticas públicas específicas. Mas falhou completamente em infraestrutura básica: água, coleta de lixo, moradia digna e iluminação. Esses são investimentos de custo alto e retorno lento, especialmente para um município com VA ICMS de apenas R$ 6,7 milhões. A distorção de idade de 44,90 sugere que o sistema educacional está reproduzindo desigualdades, não as rompendo.
7.5. Alagoinha do Piauí — IPS 57,64 (134º no PI)
O caso de maior evolução (+5,08) e o mais equilibrado entre as dimensões.
|
Dimensão |
Nota |
Posição relativa entre os 5 |
|
Necessidades Humanas Básicas (NHB) |
69,26 |
🟢 2º |
|
Fundamentos do Bem-Estar (FBE) |
58,49 |
🟡 3º |
|
Oportunidades (OPO) |
45,19 |
🟢 2º |
Alagoinha do Piauí é o município mais equilibrado do grupo: nenhuma dimensão é catastrófica, mas nenhuma é boa. É o perfil de um município que saiu do fundo do poço (52,56 em 2024) e está em trajetória de recuperação, mas ainda longe do ideal.
Indicadores positivos (que explicam a evolução):
- Coleta de Resíduos: 58,74 — a melhor do grupo e mais que o dobro de Paquetá (23,26). Um avanço concreto em infraestrutura urbana.
- Iluminação Elétrica: 97,51 — a melhor do grupo, praticamente universalizada.
- Cobertura de Internet: 59,31 — a melhor do grupo, bem acima de Pio IX (36,33).
- Cobertura Vacinal: 86,27 — a segunda melhor do grupo.
- Índice de Abastecimento de Água: 40,95 — a segunda melhor do grupo.
Indicadores críticos:
- Hospitalizações: 1.632,18 — a segunda pior do grupo, indicando que a atenção primária ainda precisa melhorar para evitar internações evitáveis.
- Mortalidade Infantil: 18,78 — a terceira pior do grupo, ainda alta, embora tenha melhorado.
- Expectativa de Vida: 67,95 — a mais baixa do grupo.
- Suicídios: 14,34 — a terceira pior do grupo.
- Mortes por Acidentes: 17,18 — a terceira pior do grupo.
- Acesso a Programas de Direitos Humanos: 1 — muito baixo.
- Ações para Direitos de Minorias: 0 — zero.
Diagnóstico: Alagoinha do Piauí parece ter acertado a mão em políticas de infraestrutura urbana — coleta de lixo, iluminação e internet tiveram avanços concretos que explicam a evolução de +5,08 pontos. No entanto, a saúde básica (hospitalizações altas, expectativa de vida baixa) e a saúde mental (suicídios) ainda são pontos cegos. Com um novo prefeito em primeiro mandato, a oportunidade é consolidar os avanços em infraestrutura e atacar os gargalos de saúde e direitos humanos — áreas que, se melhoradas, podem impulsionar ainda mais o IPS nos próximos anos.
7.6. Síntese dos Gargalos por Município
|
Município |
Gargalo Principal |
Indicador-Crítico Campeão |
O que explica a posição |
|
Monsenhor Hipólito |
Necessidades Humanas Básicas |
Mortalidade Infantil: 30,08 |
A pior NHB do grupo: saúde básica colapsada, mortalidade infantil altíssima, hospitalizações 5× a média. Suicídios (41,31) indicam crise de saúde mental negligenciada. |
|
Itainópolis |
Oportunidades (OPO) |
Violência contra Mulheres: 150,77 |
A melhor FBE do grupo (60,00) — vacinação e escola funcionam. Mas OPO de 42,05 é a pior: jovens estudam, mas não têm futuro. Violência contra mulheres é a mais alta do território. |
|
Pio IX |
Fundamentos do Bem-Estar |
Cobertura de Internet: 36,33% |
O maior VA ICMS, mas a pior FBE do grupo. 64% da população sem internet. Homicídios, violência e acidentes de trânsito muito acima da média. A riqueza não virou bem-estar. |
|
Paquetá |
Infraestrutura Básica (NHB) |
Abastecimento de Água: 17,63% |
Apenas 17,6% com água adequada. 77% sem coleta de lixo. 43% das moradias sem paredes de alvenaria. Distorção de idade de 44,90 — quase metade dos alunos atrasados. |
|
Alagoinha do Piauí |
Saúde e Longevidade |
Expectativa de Vida: 67,95 anos |
O mais equilibrado, com evolução de +5,08. Infraestrutura urbana melhorou (lixo, luz, internet). Mas saúde básica e longevidade são os pontos cegos: hospitalizações altas, expectativa de vida a mais baixa do grupo. |
Resumindo: Cada um dos cinco municípios tem um perfil de gargalo distinto, e essa individualidade precisa orientar as políticas públicas. Monsenhor Hipólito precisa de atenção primária à saúde e saúde mental. Itainópolis precisa de oportunidades para os jovens e proteção às mulheres. Pio IX precisa converter sua riqueza em conectividade e segurança. Paquetá precisa de água, saneamento e moradia digna. Alagoinha precisa consolidar a infraestrutura e atacar a saúde básica. Não há fórmula única — cada diagnóstico exige uma receita específica, e o IPS 2026 fornece o mapa para todas elas.
8. Evolução histórica: trajetórias de melhora
Um dado importante e que merece registro: todos os cinco municípios evoluíram positivamente entre 2024 e 2026. A média de evolução do grupo foi de +3,64 pontos, superando a média do Vale do Guaribas como um todo (+3,61) e a média do estado (+2,92 em parte da amostra). Isso significa que, embora ainda estejam na lanterna, a trajetória é de recuperação, não de estagnação.
|
Município |
IPS 2024 |
IPS 2026 |
Evolução |
|
Alagoinha do Piauí |
52,56 |
57,64 |
+5,08 |
|
Itainópolis |
52,35 |
56,45 |
+4,10 |
|
Pio IX |
53,33 |
57,12 |
+3,79 |
|
Monsenhor Hipólito |
52,61 |
56,00 |
+3,39 |
|
Paquetá |
55,51 |
57,37 |
+1,86 |
Destaque para Alagoinha do Piauí e Itainópolis, que evoluíram mais de 4 pontos cada — um ritmo de melhoria que, se mantido, pode reposicioná-los no médio prazo.
9. Caminhos para a transformação
Os dados do IPS não são uma sentença — são um diagnóstico. E, como todo diagnóstico, apontam caminhos de intervenção. À luz do Método Gestão de Impacto (MGI), que preconiza a integração de resultados, a escuta estratégica da população, métricas claras de impacto e uma narrativa de valor, os cinco municípios podem estruturar planos de ação em três eixos prioritários:
9.1. Integração de resultados entre secretarias — A fragmentação típica de pequenos municípios — onde saúde, educação e infraestrutura atuam como "feudos" — precisa dar lugar a um painel de controle único. Em Monsenhor Hipólito e Pio IX, onde a correlação VA-IPS é mais desfavorável, a integração entre as pastas poderia evitar que recursos sejam pulverizados sem impacto mensurável.
O caso mais emblemático, em Pio IX, mostra que não basta ter receita. É preciso um planejamento integrado entre as pastas de Saúde, Educação, Infraestrutura e Assistência Social para que cada real investido gere o máximo de impacto nos 57 indicadores do IPS. O Método Gestão de Impacto (MGI) propõe exatamente isso: substituir o "quanto gastamos" por "o que mudou na vida das pessoas com o que gastamos".
9.2. Foco em saneamento e saúde básica (Fundamentos do Bem-Estar) — Todos os cinco estão no semiárido piauiense, região historicamente carente de infraestrutura hídrica e sanitária. Políticas de cisternas, estações de tratamento simplificadas e programas de saúde da família com metas claras de cobertura podem gerar ganhos rápidos no IPS, como sugere a evolução recente de Alagoinha do Piauí.
Com a menor evolução do grupo (+1,86), Paquetá precisa dobrar a velocidade das entregas sociais para não ficar ainda mais para trás. A reeleição do prefeito oferece a estabilidade necessária para projetos de médio prazo — mas é preciso que esses projetos existam e estejam focados nos componentes críticos do IPS: saneamento, saúde básica e acesso a oportunidades.
9.3. Métricas de impacto para o orçamento público — A transparência na alocação dos recursos do ICMS — especialmente em Pio IX, que tem a maior base de arrecadação — precisa ser acompanhada de KPIs sociais claros: quantas consultas realizadas, quantas ruas pavimentadas, quantas crianças alfabetizadas no tempo certo. A população precisa ver, em números simples, que a gestão está gerando resultado.
Alagoinha do Piauí mostrou que renovação + foco podem gerar resultados expressivos (+5,08). O desafio agora é sustentar e acelerar esse ritmo, transformando a evolução pontual em uma trajetória consistente de melhoria. O novo gestor tem a oportunidade de usar o IPS como bússola para os próximos dois anos.
9.4. Quebrar a Inércia da Continuidade (Monsenhor Hipólito e Itainópolis) —
Ambos os municípios evoluíram, mas permanecem entre os piores do Estado. Com gestores reeleitos, não há desculpa de "falta de tempo" para implementar políticas. A permanência no cargo precisa se traduzir em resultados mais rápidos e consistentes. O MGI recomenda a criação de um Painel de Controle Único com metas trimestrais para cada dimensão do IPS.
9.5. Integração Regional — Municípios como Pio IX e Alagoinha do Piauí podem se beneficiar de consórcios intermunicipais para compartilhar serviços especializados que, sozinhos, não conseguem sustentar.
Como propõe o MGI, a pergunta central não é "quanto gastamos?", mas "o que mudou na vida das pessoas com o que gastamos?"
10. Fechamento
O Vale do Rio Guaribas tem, nos dados do IPS 2026, um raio-X preciso de sua realidade. Cinco municípios — Monsenhor Hipólito, Itainópolis, Pio IX, Paquetá e Alagoinha do Piauí — ocupam a base do ranking, mas todos estão em trajetória de melhoria. O problema não é a falta de evolução, mas a velocidade e a eficiência com que essa evolução ocorre.
O caso de Pio IX é o que mais provoca reflexão: como um município que gera R$ 43 milhões em riqueza pode entregar o mesmo resultado social que outro que gera apenas R$ 6,7 milhões? A resposta está na gestão, não na arrecadação.
Quatro dos cinco prefeitos foram reeleitos. Tiveram o voto de confiança da população. Agora, o IPS 2026 funciona como um termômetro técnico que cobra resultados. A pergunta que fica para cada gestor é: o que mudou na vida das pessoas com o que foi gasto nos últimos anos?
Os dados estão postos. O resto é gestão.
Resumindo
- Monsenhor Hipólito (56,00) lidera a lanterna do Vale do Guaribas, seguido por Itainópolis (56,45), Pio IX (57,12), Paquetá (57,37) e Alagoinha do Piauí (57,64)
- Todos evoluíram positivamente desde 2024 — destaque para Alagoinha (+5,08) e Itainópolis (+4,10)
- Quatro dos cinco prefeitos foram reeleitos (Monsenhor Hipólito, Itainópolis, Pio IX, Paquetá); Alagoinha tem novo gestor
- A correlação VA ICMS x IPS revela baixa eficiência de conversão: Pio IX tem o maior VA, mas não o maior IPS — indicando que recursos econômicos não se traduzem automaticamente em qualidade de vida
- Média dos cinco (56,92) está 3,56 pontos abaixo da média do Piauí (60,48) e 6,48 abaixo da média Brasil (63,40)
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