VALE DO RIO GUARIBAS

Sussuapara é a cidade do Piauí que melhor garante o essencial para viver: saúde, moradia, água e segurança

Um município pequeno do semiárido piauiense acaba de conquistar o 1º lugar do estado em um ranking que mede o que há de mais básico e importante para a vida das pessoas. Entenda por que isso é uma vitória — e não o contrário.

02 de agosto de 2026 às 14:14 43 visualizações

Muncicípios: Sussuapara

Vista aérea de Sussuapara (Foto: Picos40graus.com.br)

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Quando se fala em "Necessidades Humanas Básicas", muita gente pode imaginar algo negativo — como se a cidade tivesse apenas o mínimo, ou estivesse no limite da sobrevivência. Nada mais distante da realidade. Neste ranking, quanto maior a pontuação, melhor é a situação. E Sussuapara, com 82,86 pontos, é a número 1 do Piauí nessa dimensão. Ou seja: é a cidade do estado que melhor garante à sua população o que todo ser humano precisa para viver com dignidade.

 

Para entender a dimensão dessa conquista, é preciso primeiro explicar o que é o IPS.

 

O que é o IPS e quem o criou

O IPS — Índice de Progresso Social — é um dos rankings mais respeitados do mundo. Ele foi criado em 2013 por um grupo de especialistas internacionais liderado pelo economista americano Michael Porter, professor da Universidade de Harvard, e pelo cientista social Scott Stern, do MIT. A metodologia nasceu de uma constatação simples e poderosa: o crescimento econômico, medido pelo PIB, não conta a história completa de como as pessoas vivem. Um país pode ser rico e, ainda assim, ter uma população que sofre com falta de saúde, educação e segurança.

 

Foi para corrigir essa lacuna que o IPS foi criado — para medir, de forma direta, se as pessoas têm o que precisam para viver bem, independentemente do dinheiro que circula na economia. O índice é hoje usado em mais de 170 países e é referência mundial em qualidade de vida.

 

No Brasil, o IPS é produzido IPS Brasil e pelo Imazon — Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, uma das organizações de pesquisa mais respeitadas do país, em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente e outras instituições. O Imazon avalia os 5.570 municípios brasileiros e mede a qualidade de vida real das pessoas, com base em 57 indicadores que vão desde o acesso à saúde até a educação e a segurança.

 

A grande diferença do IPS para outros rankings é que ele não olha para o dinheiro. Ele não considera o PIB, a arrecadação ou a riqueza do município. Ele mede, na prática, se a população tem o que precisa para viver bem. A pontuação vai de 0 a 100 — e quanto maior o número, melhor a qualidade de vida.

 

O IPS é dividido em três grandes dimensões, que juntas formam o retrato completo de uma cidade:

  • Necessidades Humanas Básicas — o essencial para sobreviver e viver com dignidade: saúde, moradia, água e saneamento, e segurança.
  • Fundamentos do Bem-Estar — o que permite evoluir: acesso à educação, à informação e a um meio ambiente saudável.
  • Oportunidades — o que permite crescer: direitos individuais, inclusão social e acesso ao ensino superior.

 

O que significa liderar "Necessidades Humanas Básicas"

A dimensão Necessidades Humanas Básicas é a mais fundamental de todas. Ela reúne o que nenhuma pessoa pode viver sem: ter o que comer e acesso a cuidados médicos, ter onde morar, ter água tratada e saneamento, e viver em segurança.

 

Quando um município lidera esse ranking, significa que ele conseguiu garantir à população o básico bem feito — e isso é a base de tudo. Uma cidade que garante saúde, moradia, água e segurança cria as condições para que as pessoas estudem, trabalhem e prosperem. É o alicerce sobre o qual todo o resto se constrói.

 

Sussuapara é a campeã estadual nesse quesito. Com 82,86 pontos, a cidade do Vale do Rio Guaribas deixou para trás municípios como Olho D’Água do Piauí (80,79), a primeira colocada no ranking geral do IPS 2026; Oeiras (74,26), que ficou na 53ª colocação; Picos, com 74,51, na 55ª posição; e Teresina, com 71,23 pontos,  89ª colocada nessa dimensão. Nenhuma cidade do Piauí garante melhor que Sussuapara o essencial para a vida da sua população.

 

Uma pequena cidade que desafia as capitais

E o feito não é isolado. No ranking geral do IPS Brasil 2026, que soma as três dimensões, Sussuapara é o 4º município do Piauí, com 64,39 pontos — à frente de São Félix do Piauí (64,19), de Juazeiro do Piauí (63,50) e de dezenas de cidades com população e orçamento muito maiores.

 

No ranking estadual, apenas três municípios ficam à frente: Olho D'Água do Piauí (66,06), a capital Teresina (66,02) e Picos (65,01). Ou seja: uma pequena cidade do semiárido está a apenas 1,63 ponto da capital do estado — que tem toda a estrutura de serviços de uma grande cidade.

 

No território Vale do Rio Guaribas, Sussuapara é o 2º colocado. E a trajetória é de subida constante no Piauí: 26º colocado no IPS 2024, 5º lugar no IPS 2025, 4º no IPS 2026, com uma evolução de 4,95 pontos entre as edições 2024/2026 — saltando de 59,44 para 64,39. No ranking nacional, a cidade ocupa a 1088ª posição entre 5.570 municípios, à frente de cidades de estados ricos do Sul e do Sudeste.

 

Onde Sussuapara brilha — e onde ainda há espaço para crescer

O retrato completo do município mostra uma gestão que acertou no essencial, mas que ainda tem degraus a subir. Veja o desempenho por dimensão:

 

Necessidades Humanas Básicas — 82,86 pontos, 1º lugar no Piauí. É aqui que Sussuapara é campeã estadual. Saúde, moradia, água, saneamento e segurança garantidos à população. É a dimensão mais importante — e a cidade lidera.

 

Fundamentos do Bem-Estar — 60,6 pontos, 69ª posição. Aqui está o ponto de atenção. A dimensão, que mede acesso à educação, à informação e a um meio ambiente saudável, ainda deixa Sussuapara no meio da tabela estadual. É o maior espaço de crescimento do município.

 

Oportunidades — 49,72 pontos, 32ª posição. A dimensão mais difícil para todo o Brasil — e que registra as menores médias nacionais — coloca Sussuapara na 32ª posição do Piauí. Direitos individuais, inclusão social e acesso ao ensino superior são os indicadores que mais pesam aqui. É o degrau mais alto a conquistar.

 

O que esses números revelam é que nenhuma secretaria resolve sozinha. Em Sussuapara, saúde, educação e assistência social trabalham integradas — e é exatamente essa integração que o IPS premia. Mas os 60,6 pontos em Bem-Estar e os 49,72 em Oportunidades mostram que o município ainda pode — e precisa — avançar para consolidar de vez sua posição entre as referências do estado.

 

O que explica o salto

Não foi milagre orçamentário. Foi método. A gestão do bioquímico Dr. Naerton Moura (MDB), reeleito em 2024 com 86,67% dos votos válidos — a maior maioria proporcional do Piauí —, transformou indicadores em bússola de governo. E os resultados aparecem em todas as frentes que o IPS avalia.

 

Na saúde, o município alcançou a 12ª posição no ranking do Previne Brasil entre os 224 municípios piauienses, com nota 9,7 no Índice Sintético Final — 97,7% de desempenho na atenção primária. Na educação, veio a primeira medalha de bronze na OBMEP da história da cidade, conquistada pelo aluno Mateus Rodrigues Rocha. No Selo Unicef, edições consecutivas conquistadas. Na infraestrutura, calçamento de ruas, ambulância 0 km, academia de saúde, Centro Multieventos e estádio municipal inaugurado.

 

"É motivo de orgulho mais uma vez termos a cidade de Sussuapara como destaque", disse o prefeito ao celebrar o desempenho no Previne Brasil. A frase poderia servir, palavra por palavra, para o IPS.

 

O gestor que virou referência


Vice-prefeito Chaguinha e prefeito Dr. Naerton (Imagem: Cidadesnanet)

 

Aos 86,67% dos votos, Dr. Naerton (MDB) não recebeu apenas um mandato. Recebeu um atestado de confiança raro na política brasileira — e uma cobrança silenciosa: manter o padrão. O vice-prefeito Chaguinha, parceiro de chapa, completa a dobradinha que comanda o município desde a gestão anterior. Juntos, transformaram Sussuapara em caso de estudo para os 23 municípios do Vale do Rio Guaribas: uma cidade pequena, com orçamento apertado, que aprendeu a usar dados para decidir.

 

IPS 2027: manter o ritmo ou recuar?

A pergunta que paira sobre Sussuapara agora é outra: o município vai manter o ritmo para galgar mais degraus — ou vai recuar? O histórico recente mostra que quem age de forma integrada colhe resultados mais rápidos. Quem espera, vê o abismo aumentar. A cidade que já provou que sabe evoluir tem diante de si o IPS 2027, com a chance de alcançar o pódio estadual — ou até de liderar.

 

O caminho está desenhado nos próprios números. Se Sussuapara conseguir elevar os 60,6 pontos de Fundamentos do Bem-Estar e os 49,72 de Oportunidades — as duas dimensões em que ainda patina —, a liderança geral do Piauí deixa de ser sonho e vira questão de tempo. A cidade que já é campeã no essencial agora precisa provar que sabe crescer também no que ainda falta.

 

A questão agora é: quem vai liderar a próxima virada?

 

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Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 02 de agosto de 2026

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