VALE DO RIO GUARIBAS

Picos, Sussuapara, Bocaina, Dom Expedito Lopes e Santana do Piauí são as melhores cidades pra se viver no Vale do Guaribas

O Teto de Vidro do Vale do Guaribas: Por que o Top 5 Social ainda não rompeu a barreira da Excelência Nacional?

26 de julho de 2026 às 18:07 33 visualizações

 

Território Vale do Guaribas (Arte: FUNDAÇÃO CEPRO)


 

Resumo: Esta matéria especial revelou que a liderança territorial de Picos e Sussuapara, embora louvável, ainda carece de políticas de inclusão social e integração administrativa para atingir a excelência nacional. A gestão de impacto oferece a ferramenta necessária para converter a estabilidade política em progresso social real e mensurável.


 

O território do Vale do Rio Guaribas, no Piauí, vive um momento de definição. A divulgação do IPS Brasil 2026 consolidou um "pelotão de elite" regional, mas a análise profunda dos dados revela um paradoxo: mesmo os municípios que lideram o ranking territorial com notas entre 61 e 65 pontos — como Picos, Sussuapara, Bocaina, Dom Expedito Lopes e Santana do Piauí — operam sob um "teto de vidro". Eles superam a média estadual, mas patinam quando comparados aos líderes nacionais, evidenciando que a estabilidade política conquistada nas urnas em 2024 ainda não foi convertida em progresso social disruptivo.

 

O paradoxo é claro: a estabilidade política — com quatro das cinco gestões reeleitas ou mantidas em 2024 — garantiu a continuidade, mas ainda não foi capaz de gerar o salto disruptivo necessário para romper a barreira dos 70 pontos no IPS. A investigação aponta que o segredo para romper essa barreira não reside apenas no volume de recursos, mas na transição de uma gestão de continuidade para uma gestão de impacto.


 

1. O Ranking da Elite Territorial: O Top 5 em Detalhes

Os municípios abaixo apresentam o melhor desempenho social do território. Contudo, a comparação com o líder nacional, Gavião Peixoto (SP), que detém 73,10 pontos, mostra que o caminho para a excelência nacional ainda é longo.

  1. Picos (65,01): O motor econômico do território lidera, mas com um crescimento inercial de apenas 0,62 pontos desde 2024. A cidade arrecada como polo, mas seus indicadores de "Inclusão Social" ainda patinam.
  2. Sussuapara (64,39): A grande surpresa positiva. Com uma evolução de 1,85 pontos (a maior do grupo), Sussuapara provou que foco em segurança e saneamento gera resultados rápidos.
  3. Bocaina (62,15): Mantém-se no topo pelo equilíbrio, mas sofre com a baixa oferta de oportunidades educacionais superiores para sua juventude.
  4. Dom Expedito Lopes (61,80): Apresenta avanços em saúde básica, mas a correlação entre sua receita e o impacto social efetivo ainda é desproporcional.
  5. Santana do Piauí (61,42): Fecha o grupo de elite, demonstrando que a sucessão política manteve o ritmo, mas sem aceleração significativa.

 


 

2. Análise Crítica: O Paradoxo VA ICMS vs. IPS

A investigação cruzou o Valor Adicionado (VA) do ICMS com os resultados do IPS. O resultado é revelador: municípios com VA per capita elevado, como Picos, não conseguem converter essa pujança fiscal em notas de excelência em "Inclusão Social" e "Direitos Individuais".

 

O dinheiro circula na economia, mas a prefeitura falha em capturar esse valor para políticas públicas que "furem a bolha". O investimento per capita em educação técnica e superior nestas cidades é, em média, 30% inferior ao de cidades paulistas com o mesmo perfil de arrecadação. O Vale do Guaribas arrecada como polo, mas ainda investe como periferia.

 


 

3. Evolução Histórica e Gestão: O Peso da Reeleição

A tabela abaixo cruza a evolução do IPS com o cenário político. A estabilidade é a marca, mas o progresso social é a variável lenta.

Município

Prefeito(a) (2024)

Partido

Status

IPS 2024

IPS 2026

Evolução

Picos

Pablo Santos

MDB

Novo mandato

64,39

65,01

+0,62

Sussuapara

Naerton Moura

MDB

Reeleito

62,54

64,39

+1,85

Bocaina

Dr. Erivelto

PP

Reeleito

61,20

62,15

+0,95

Dom Expedito Lopes

Dr. Abimael Lima

MDB

Novo mandato

61,02

61,80

+0,78

Santana do Piauí

Adonaldo Cassiano

Solidariedade

Sucessão

60,88

61,42

+0,54

 


 

4. O Método Gestão de Impacto (MGI) como Alavanca

A investigação aponta que o "Top 5" do Vale do Guaribas atingiu um platô que poderá ser rompido com a aplicação do Método Gestão de Impacto (MGI). O problema não é a falta de recursos — Picos e Sussuapara possuem VA de ICMS robustos — mas a fragmentação das ações.

  • Integração de Resultado: O MGI propõe que a secretaria de Obras não apenas asfalte, mas trabalhe com a Saúde para reduzir poeira e lama em áreas com altos índices de doenças respiratórias. Isso eleva o IPS de forma cirúrgica.
  • Escuta Estratégica: As gestões reeleitas tendem a ouvir apenas sua base. O MGI utiliza a ouvidoria ativa como radar de crises, capturando as dores dos eleitores indecisos e minorias, o que impacta diretamente na nota de Inclusão Social.
  • Métricas de Impacto: Substituir o "eu acho" por KPIs claros. Se o IPS aponta baixa nota em "Acesso ao Conhecimento", a gestão deve focar no impacto real da sala de aula, e não apenas na pintura das escolas.

 


 

5. Caminhos para a Transformação: Do Regional ao Nacional

Para que o Vale do Rio Guaribas coloque um município no seleto grupo das 100 melhores cidades do Brasil, a receita exige a aplicação imediata dos pilares de uma gestão de impacto:

  1. Converter VA ICMS em Oportunidades: Destinar o incremento orçamentário para polos de ensino técnico e superior.
  2. Narrativa de Valor: A comunicação dessas prefeituras ainda é institucional e fria. É preciso mostrar que "93% das crianças na escola" é o que garante o futuro da cidade, transformando dados frios em orgulho de pertencimento. Comunicar o progresso social como um legado, e não apenas como propaganda eleitoral.
  3. Foco nos Pontos Cegos: Atacar os indicadores de "Inclusão" e "Direitos", que são os que mais afastam o Piauí do topo nacional.
  4. Métricas de Impacto: Substituir o "eu acho que a saúde melhorou" por KPIs claros. Se o IPS aponta baixa nota em "Saúde e Bem-estar", a gestão deve focar em reduzir a mortalidade por doenças não transmissíveis, e não apenas construir postos.
  5. Quebra de Feudos: O prefeito deve atuar como um gestor de impacto, integrando pastas. Saúde + Educação + Assistência Social trabalhando juntas para elevar o componente "Oportunidades".

 


Fechamento: A Próxima Fronteira

O Vale do Rio Guaribas provou que sabe gerir a escassez. Agora, o desafio é gerir a abundância e a continuidade. O IPS 2026 é o espelho de uma elite regional que precisa de um choque de gestão para se tornar uma elite nacional. A gestão de impacto não é apenas um método; é a ponte para que o Piauí deixe de ser um destaque local e passe a ser uma referência brasileira em progresso social.

 


 

Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 26 de julho de 2026

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