CHAPADA VALE DO ITAIM

Chapada do Vale do Itaim: o território que precisa acelerar antes que o abismo aumente

Com 16 municípios e a menor evolução média entre os territórios do Piauí — apenas 1,51 pontos no IPS — a Chapada do Vale do Itaim acende o alerta: enquanto algumas cidades avançam, outras retrocedem, e a diferença entre elas não está no orçamento

27 de julho de 2026 às 14:41 28 visualizações

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A Chapada do Vale do Itaim é um dos territórios que mais precisa de atenção no Piauí. E os números explicam por quê.

 

Com uma média de 56,66 pontos no IPS 2026 e evolução média de apenas 1,51 ponto entre 2024 e 2026, os 16 municípios da região apresentam o ritmo de avanço mais tímido entre os territórios já analisados. O dado não é apenas um número: é um sinal de alerta para gestores que ainda tratam os indicadores sociais como assunto secundário.

 

O retrato completo revela algo que nenhum prefeito da região pode mais ignorar: enquanto algumas cidades conseguem avançar, outras patinam ou retrocedem — e o território como um todo corre o risco de ficar para trás.

 

O raio-x do território

Município Prefeito Partido Status Índice IPS 2026 Posição no Território Posição Piauí 2026 Índice Evolução 2026 -2024 Posição Evolução Território
Francisco Macedo Novim MDB Reeleito 59,89 1 65 1,46 10
Belém do Piauí Jônathas Noronha MDB Novo Mandato 58,73 2 99 2,2 6
Jacobina do Piauí Vanderlei MDB Reeleito 58,5 3 106 -0,06 15
Simões Magno Dantas PSD Novo Mandato 58,5 4 107 3,22 2
Caridade do Piauí Clei Carvalho PSD Reeleito 58,11 5 121 -1,83 16
Marcolândia Dr. Corinto Matos MDB Reeleito 57,52 6 136 2,93 3
Patos do Piauí Joaquim Neto PSD Reeleito 57,49 7 138 2,31 5
Jaicós Weslly Bispo PSD Novo Mandato 56,73 8 159 1,74 8
Caldeirão Grande do Piauí Filipe Gonçalves PSD Reeleito 56,13 9 174 3,41 1
Massapê do Piauí Dr. Wilton MDB Novo Mandato 55,96 10 178 0,06 14
Padre Marcos Wiliane Kelly PSD Novo Mandato 55,73 11 183 1,99 7
Paulistana Osvaldo da Abelha Branca MDB Novo Mandato 55,68 12 184 1,47 9
Curral Novo do Piauí Juninho de Marinalva MDB Novo Mandato 54,77 13 197 0,91 12
Queimada Nova Gilmar PSD Reeleito 54,64 14 198 1,17 11
Betânia do Piauí Josivan PSD Novo Mandato 54,4 15 202 2,51 4
Acauã Molão PSD Reeleito 53,8 16 210 0,68 13
MÉDIA       56,66     1,51  

FONTES: ipsbrasil.org.br e TSE

Francisco Macedo lidera com 59,89 pontos, seguido por Belém do Piauí (58,73) e Jacobina do Piauí e Simões, ambos com 58,50. Na outra ponta, Acauã (53,80), Betânia do Piauí (54,40) e Queimada Nova (54,64) mostram que o caminho é longo.

 

Mas o dado que mais preocupa está na evolução. Caldeirão Grande do Piauí registrou o melhor avanço: +3,41 pontos, seguido por Simões (+3,22) e Marcolândia (+2,93). São cidades que mostram que é possível acelerar — mesmo com as limitações da região.

 

O que essas cidades fizeram de diferente? Não foi milagre orçamentário. Foi método.

 

Por outro lado, Caridade do Piauí registrou -1,83 ponto de evolução — o pior resultado do território e um dos mais preocupantes do estado. Jacobina do Piauí também ficou no negativo: -0,06. Massapê do Piauí (+0,06) e Acauã (+0,68) mal saíram do lugar. Um sinal claro de que, sem um plano integrado, os indicadores não andam — ou pior, regridem.

 

Onde a gestão integrada faz a diferença

Os números por dimensão do IPS escancaram os gargalos da Chapada do Vale do Itaim. Em Moradia, o desempenho é bom — Belém do Piauí lidera com 90,08, Francisco Macedo aparece com 87,38 e Jacobina do Piauí com 85,21. Mas Betânia do Piauí marca apenas 59,06, uma disparidade enorme dentro do mesmo território.

 

Já em Oportunidades, a situação é crítica em várias cidades: Paulistana marca apenas 40,40, Patos do Piauí 44,09 e Massapê do Piauí 44,17. A Segurança Pessoal também oscila fortemente — Padre Marcos tem 45,00, enquanto Jacobina do Piauí alcança 79,45 e Patos do Piauí 79,02.

 

O que esses números revelam é que nenhuma secretaria resolve sozinha. Saúde, Educação e Saneamento — as três dimensões que mais pesam no índice — estão profundamente conectadas. Uma criança que abandona a escola não é apenas um problema da Educação: é um indicador que vai ecoar na Saúde, na Assistência Social e, mais tarde, nas Oportunidades.

 

Os gestores que entenderem essa lógica antes dos outros não vão apenas subir no ranking. Vão blindar o mandato.

 

Quem está na frente já percebeu

Dos 16 prefeitos do território, 7 iniciaram mandato em 2025 — Jônathas Noronha (MDB), em Belém do Piauí; Juninho de Marinalva (MDB), em Curral Novo do Piauí; Weslly Bispo (PSD), em Jaicós; Dr. Wilton (MDB), em Massapê do Piauí; Wiliane Kelly (PSD), em Padre Marcos; Osvaldo da Abelha Branca (MDB) em Paulistana; Josivan (PSD), em Betânia;  e Magno Dantas (PSD), em Simões — que comandou o segundo maior salto do território. Os outros 9 foram reeleitos, como Novim (MDB), em Francisco Macedo, e Filipe Gonçalves (PSD), em Caldeirão Grande do Piauí — a cidade que mais evoluiu na região.

 

Mas a pergunta que paira sobre a Chapada do Vale do Itaim é outra: os 16 municípios vão continuar evoluindo nesse ritmo lento? Ou alguns vão despertar enquanto outros ficam definitivamente para trás?

 

O histórico recente mostra que quem age de forma integrada colhe resultados mais rápidos. Quem espera, vê o abismo aumentar.

 

O caminho para a próxima virada

Não é preciso contratar consultorias milionárias nem esperar por novos recursos. O que separa uma gestão que avança de uma que patina é, muitas vezes, uma única tarde com as pessoas certas na mesma sala — olhando para os mesmos números e saindo de lá com um plano.

 

O Farol Municipal desenvolveu um formato de imersão presencial — dentro do próprio município, em apenas quatro horas — que já está ajudando prefeituras a integrar suas secretarias, identificar gargalos e desenhar um plano de metas para subir no ranking do IPS. Para os gestores da Chapada do Vale do Itaim que quiserem entender como levar essa imersão para a sua cidade, a equipe do Farol está à disposição. Os primeiros municípios a se movimentarem tendem a colher os resultados mais expressivos.

 

A Chapada do Vale do Itaim já provou que alguns dos seus municípios sabem evoluir. A questão agora é: quem vai liderar a próxima virada?

 

Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 27 de julho de 2026

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