Bom Jesus, Manoel Emídio e Redenção do Gurguéia: as melhores cidades para se viver na Chapada das Mangabeiras
Com evoluções expressivas no IPS Brasil 2026, trio de municípios se destaca pela qualidade de vida e pela capacidade de transformar progresso econômico em bem-estar social
Catedral de Bom Jesus-PI (Imagem de internet)
Três cidades do território Chapada das Mangabeiras protagonizaram trajetórias que merecem registro e celebração. Bom Jesus lidera com folga. Com IPS (Índice de Progresso Social) de 60,36, a cidade ocupa a 56ª posição entre os 224 municípios piauienses e é a única do território a ultrapassar a barreira dos 60 pontos. Mais impressionante que o número absoluto, porém, é a evolução: Bom Jesus avançou +5,89 pontos em relação a 2024 — um dos maiores saltos de todo o estado do Piauí. Em duas gestões, a cidade saiu de 54,47 para 60,36. Para quem conhece a escala de 0 a 100 do IPS, isso é avanço de alta potência. Isso indica que a gestão municipal está, ao menos, na direção correta.
Manoel Emídio (IPS 59,67) ocupa a segunda posição territorial e a 74ª no estado, com evolução sólida de +3,89 pontos. A cidade está a apenas 0,33 ponto de ingressar no patamar de "bom desempenho" — uma distância que, em termos de IPS, pode ser vencida com investimentos cirúrgicos em áreas como saneamento ou atenção básica.
Redenção do Gurguéia (IPS 59,22) é a grande surpresa do território. Com evolução de +5,41 pontos — a segunda maior da região — o que sugere que o motor econômico local começa a gerar tração social, a cidade subiu de 53,81 para 59,22 em dois anos. É um salto considerável que revela ruptura de padrão: não se trata de melhoria marginal, mas de mudança consistente de patamar.
Completam o top 5 Eliseu Martins (IPS 58,86) e Colônia do Gurguéia (IPS 58,53), ambos com evoluções positivas que consolidam o bloco de excelência regional, embora com ritmos de evolução mais modestos (+1,42 e +2,78, respectivamente).
|
Município |
Índice IPS 2026 |
Posição no Território |
Posição no Piauí |
Índice IPS 2024 |
Índice Evolução 2026 -2024 |
Posição na Evolução |
|
Bom Jesus |
60,36 |
1 |
56 |
54,47 |
5,89 |
1 |
|
Manoel Emídio |
59,67 |
2 |
74 |
55,78 |
3,89 |
4 |
|
Redenção do Gurguéia |
59,22 |
3 |
88 |
53,81 |
5,41 |
2 |
|
Eliseu Martins |
58,86 |
4 |
96 |
57,44 |
1,42 |
17 |
|
Colônia do Gurguéia |
58,53 |
5 |
104 |
55,75 |
2,78 |
8 |
|
Monte Alegre do Piauí |
58,28 |
6 |
116 |
55,68 |
2,6 |
9 |
|
Alvorada do Gurguéia |
57,77 |
7 |
128 |
53,83 |
3,94 |
3 |
|
Cristino Castro |
57,6 |
8 |
135 |
56,78 |
0,82 |
19 |
|
Curimatá |
57,52 |
9 |
137 |
55,43 |
2,09 |
13 |
|
São Gonçalo do Gurguéia |
56,99 |
10 |
151 |
53,57 |
3,42 |
5 |
|
Santa Luz |
56,62 |
11 |
164 |
55,98 |
0,64 |
20 |
|
Cristalândia do Piauí |
55,82 |
12 |
181 |
52,76 |
3,06 |
6 |
|
Gilbués |
55,24 |
13 |
190 |
52,66 |
2,58 |
10 |
|
Avelino Lopes |
55 |
14 |
194 |
53,32 |
1,68 |
14 |
|
Riacho Frio |
54,29 |
15 |
203 |
51,43 |
2,86 |
7 |
|
Corrente |
54,18 |
16 |
205 |
55,15 |
-0,97 |
24 |
|
Currais |
53,62 |
17 |
211 |
51,94 |
1,68 |
15 |
|
Sebastião Barros |
53,61 |
18 |
213 |
51,32 |
2,29 |
12 |
|
Barreiras do Piauí |
53,35 |
19 |
215 |
52,87 |
0,48 |
21 |
|
Júlio Borges |
53,06 |
20 |
217 |
52,68 |
0,38 |
22 |
|
Parnaguá |
52,52 |
21 |
220 |
51,50 |
1,02 |
18 |
|
Santa Filomena |
52,04 |
22 |
222 |
50,38 |
1,66 |
16 |
|
Palmeira do Piauí |
51,31 |
23 |
223 |
50,96 |
0,35 |
23 |
|
Morro Cabeça no Tempo |
50,27 |
24 |
224 |
47,91 |
2,36 |
11 |
|
MÉDIA |
55,66 |
|
|
|
|
|
FONTE: https://ipsbrasil.org.br/
O que explica o desempenho?
O que une essas cinco cidades é a capacidade de converter o dinamismo econômico do agronegócio — que move a economia do Sul do Piauí — em serviços públicos que chegam à população. Bom Jesus, polo de serviços e escoamento da produção agrícola, é o exemplo mais claro: a pujança do campo se reflete, ainda que parcialmente, em indicadores sociais mais elevados.
Isso não significa que o quadro seja perfeito — sempre há gargalos e desafios. Mas os números mostram que o caminho existe e que algumas gestões já encontraram a rota. No Piauí, a média estadual em 2026 é de 60,48 pontos. É contra essa régua que os municípios da Chapada das Mangabeiras são medidos.
IPS Brasil: A Régua Global da Dignidade Humana
Uma pergunta fundamental: como medir se uma cidade é realmente um bom lugar para se viver?
Para entender o resultado alcançado por essas cidades, é preciso compreender a magnitude do Índice de Progresso Social (IPS), Diferente do PIB, que mede apenas a riqueza econômica, o IPS é uma ferramenta multidimensional que avalia se as pessoas têm o que precisam para prosperar, Trata-se de um índice de abrangência mundial, aplicado em mais de 170 países, que no Brasil realiza uma radiografia minuciosa de todos os 5.570 municípios.
A grandiosidade do IPS reside em sua capacidade de medir resultados, não apenas investimentos. Ele é coordenado globalmente pelo Social Progress Imperative e, no Brasil, conta com o rigor técnico de instituições como o Imazon e a Fundação Avina. Para um gestor público, o IPS é a prova definitiva de que sua administração saiu da "Gestão Invisível" para se tornar uma Gestão de Impacto.
A Metodologia: Três Pilares do Bem-Estar
O IPS Brasil organiza-se em três dimensões fundamentais, que juntas compõem a nota final de cada cidade (de 0 a 100):
- Necessidades Humanas Básicas: Nutrição, cuidados médicos básicos, água, saneamento, moradia e segurança.
- Fundamentos do Bem-Estar: Acesso ao conhecimento básico, informação, saúde e qualidade do meio ambiente.
- Oportunidades: Direitos individuais, liberdade de escolha, tolerância, inclusão e acesso à educação superior.
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