CHAPADA DAS MANGABEIRAS

Os cinco municípios com menor qualidade de vida na Chapada das Mangabeiras: um retrato dos desafios do progresso social no Sul do Piauí

Território de 24 municípios tem quatro dos piores IPS do Piauí — e dados fiscais revelam que dinheiro nem sempre vira qualidade de vida

25 de julho de 2026 às 21:13 29 visualizações

Conselho Territorial da Chapada das Mangabeiras reúne-se em Corrente nesta  terça - Portal Corrente

Mapa do Território de Desenvolvimento Chapada das Mangabeiras

 

O IPS Brasil 2026 (Índice de Progresso Social) escancara as desigualdades que persistem no sul do Piauí. No território de desenvolvimento Chapada das Mangabeiras, composto por 24 municípios, a média do IPS é de 55,66 — já abaixo da média estadual (60,48), da média nacional (63,40) e distante dos 73,10 pontos de Gavião Peixoto (SP), referência máxima do país.

 

Cinco municípios, porém, estão ainda mais distantes. Situados na parte inferior do ranking territorial, eles concentram os menores indicadores de qualidade de vida da região e figuram entre as posições mais críticas do Brasil.


Os cinco municípios com menor IPS 2026

 

  1. Morro Cabeça no Tempo — IPS 2026: 50,27  

224º no Piauí | 5.493º no Brasil

O município de menor IPS do território e de todo o estado. Com 4.377 habitantes (Censo 2022) e uma densidade demográfica de apenas 2,0 hab/km², Morro Cabeça no Tempo carrega uma história de isolamento geográfico. Fundado por migrantes no extremo sul piauiense, o município possui PIB per capita de cerca de R$ 8,94 mil, um dos mais baixos entre os analisados.

 

Sua posição 224ª entre 224 municípios do Piauí no IPS 2026 revela desafios estruturais profundos nas três dimensões do índice. O lado positivo: o município teve a maior evolução proporcional entre os cinco — saltou de 47,91 (IPS 2024) para 50,27, um ganho de +2,36 pontos, o que indica que, apesar da base baixa, há movimento de recuperação.

 

Prefeito(a): Josué Alves da Silva (PP) — Reeleito. Evolução 2024→2026: +2,36 pontos (11ª melhor evolução do território)

 

  1. Palmeira do Piauí — IPS 2026: 51,31

223º no Piauí | 5.446º no Brasil

Palmeira do Piauí tem 4.952 habitantes e uma história que remonta ao final do século XIX, quando colonizadores vindos de Picos se instalaram na região, impulsionados pelo ciclo da borracha de maniçoba. A economia atual é baseada na agricultura familiar, comércio local e serviços.

 

O IPS do município evoluiu apenas +0,35 ponto entre 2024 (50,96) e 2026 (51,31) — a segunda pior evolução do território, perdendo apenas para Corrente (-0,97). Essa estagnação acende um alerta: o município praticamente não avançou em dois anos.

 

Prefeito(a): Hugo Rosal (SOLIDARIEDADE) — Novo Mandato. Evolução 2024→2026: +0,35 ponto (23ª pior evolução do território)

 

  1. Santa Filomena — IPS 2026: 52,04

222º no Piauí | 5.389º no Brasil

Com 6.087 habitantes (Censo 2022) e extensa área territorial de aproximadamente 5.281 km², Santa Filomena é um dos municípios mais isolados da Chapada. O prefeito Dr. Fernando (PSD), reeleito em 2024, comanda uma cidade onde o saneamento básico e o acesso a serviços de saúde estão entre os principais gargalos.

 

O IPS saiu de 50,38 (2024) para 52,04 (2026), evolução de +1,66 ponto — positivo, mas ainda insuficiente para tirar o município do grupo crítico.

 

Prefeito(a): Dr. Fernando Andrade Coelho (PSD) — Reeleito. Evolução 2024→2026: +1,66 ponto (16ª no território)

 

  1. Parnaguá — IPS 2026: 52,52

220º no Piauí | 5.340º no Brasil

Dos cinco municípios, Parnaguá é o mais populoso, com 10.103 habitantes (Censo 2022) e o maior PIB per capita entre eles: aproximadamente R$ 13,3 mil. Apesar disso, o progresso social não acompanha o porte econômico. O IPS evoluiu de 51,50 (2024) para 52,52 (2026) — alta de apenas +1,02 ponto.

 

É um caso clássico de descompasso entre capacidade econômica e resultados sociais: um município que gera mais riqueza, mas não consegue convertê-la em qualidade de vida para a população.

 

Prefeito(a): Miguelão (PP) — Novo Mandato Evolução 2024→2026: +1,02 ponto (18ª no território)

 

  1. Júlio Borges — IPS 2026: 53,06

217º no Piauí | 5.282º no Brasil

O município com melhor IPS entre os cinco (53,06), Júlio Borges tem 5.388 habitantes e área de 1.290 km². A evolução foi tímida: de 52,68 (2024) para 53,06 (2026) — apenas +0,38 ponto, a terceira pior evolução do território, o que sinaliza estagnação.

 

O prefeito João Paulo (PP), reeleito em 2024, enfrenta o desafio de acelerar a entrega de serviços básicos em um município que, apesar de estar à frente dos vizinhos no ranking local, ainda ocupa posições críticas nas comparações estadual e nacional.

 

Prefeito(a): João Paulo (PP) — Reeleito. Evolução 2024→2026: +0,38 ponto (22ª no território)


Tabela de gestão

Município

Prefeito(a)

Partido

Status

IPS 2026

Evolução 2024→2026

Morro Cabeça no Tempo

Josué Alves da Silva

PP

Reeleito

50,27

+2,36

Palmeira do Piauí

Hugo Rosal

SOLIDARIEDADE

Eleito

51,31

+0,35

Santa Filomena

Dr. Fernando Coelho

PSD

Reeleito

52,04

+1,66

Parnaguá

Miguelão

PP

Eleito

52,52

+1,02

Júlio Borges

João Paulo

PP

Reeleito

53,06

+0,38

 

Análise de gestão: Dois dos cinco prefeitos são novos mandatos (assumiram em 2025), o que pode representar uma janela de oportunidade para mudança de rumo. Já Josué (Morro Cabeça no Tempo), Dr. Fernando (Santa Filomena)  e João Paulo (Júlio Borges) foram reeleitos — o que significa que os indicadores atuais refletem, em parte, as gestões anteriores. No caso de Júlio Borges, a evolução de apenas +0,38 ponto em dois anos acende um sinal crítico sobre a eficiência do gasto público.


Análise de trajetória: quem está melhorando?

A boa notícia é que todos os cinco municípios apresentaram evolução positiva no IPS entre 2024 e 2026. Nenhum regrediu — diferentemente de Corrente, no mesmo território, que caiu -0,97 ponto.

 

Destaques positivos:

  • Morro Cabeça no Tempo (+2,36): maior avanço absoluto entre os cinco, saindo de 47,91 para 50,27
  • Santa Filomena (+1,66): trajetória consistente de recuperação
  • Parnaguá (+1,02): avanço moderado

 

Sinais de alerta:

  • Palmeira do Piauí (+0,35) e Júlio Borges (+0,38): estagnação praticamente total em dois anos

O contraste com a liderança do território

Enquanto esses cinco municípios lutam para superar a barreira dos 53 pontos, Bom Jesus — polo da Chapada das Mangabeiras — registra IPS 2026 de 60,36, ocupando a 56ª posição no Piauí e a 2.863ª no Brasil. A diferença entre Bom Jesus e Morro Cabeça no Tempo é de 10,09 pontos — um abismo em se tratando de progresso social.

A média do território (55,66) já é baixa, mas esses cinco municípios estão entre 2,60 e 5,39 pontos abaixo dela.

Indicador

Valor

Média dos 5 piores

51,84

Média do território

55,66

Média do Piauí

60,48

Média do Brasil

63,40

Gavião Peixoto/SP (1º lugar)

73,10

 

O descompasso para o topo é ainda mais severo: Morro Cabeça no Tempo (50,27) está 22,83 pontos abaixo de Gavião Peixoto (73,10) — uma diferença que representa mais de 45% do próprio índice do município.


O vilão silencioso: o retrato dimensional de cada município

Ao contrário do que a análise de superfície sugere, não há um único vilão — cada município tem seu próprio calcanhar de Aquiles, e os dados permitem identificá-los com precisão cirúrgica. Levantamento do FAROL MUNICIPAL junto ao IPS Brasil 2026 revela as três grandes dimensões (Necessidades Básicas, Fundamentos do Bem-estar, Oportunidades) e todos os 57 indicadores que as compõem. O diagnóstico abaixo usa esses dados reais.

 

O padrão dominante: Oportunidades é o gargalo generalizado

Para quatro dos cinco municípios, a dimensão Oportunidades é a mais crítica. Ela mede direitos individuais, liberdades, inclusão social e acesso ao ensino superior — e os números são severamente baixos:

Município

Oportunidades

Diferença para Bom Jesus (43,76)

Júlio Borges

38,58

-5,18

Parnaguá

39,97

-3,79

Santa Filomena

41,78

-1,98

Palmeira do Piauí

42,28

-1,48

Morro Cabeça no Tempo

43,25

-0,51

 

A exceção é Morro Cabeça no Tempo (43,25), que surpreendentemente fica à frente dos outros quatro municípios lanternas em Oportunidades — mas sofre em todas as outras frentes, sendo o único município onde Fundamentos do Bem-estar (50,08) é a dimensão mais frágil.


  1. Morro Cabeça no Tempo — o colapso simultâneo em duas frentes

Morro Cabeça no Tempo é o único entre os cinco cujo pior desempenho não está em Oportunidades, mas sim em Fundamentos do Bem-estar — e olhando os subindicadores, o motivo fica claro:

O abismo habitacional: O indicador de Moradia (44,95) é o pior entre todos os 24 municípios do território e o mais baixo entre os cinco analisados. Apenas 35,51% dos domicílios têm iluminação elétrica adequada, apenas 38,82% têm paredes adequadas e 58,97% têm pisos adequados — números que remetem a condições de habitação precárias, incompatíveis com o século XXI.

 

Colapso ambiental: O índice de Qualidade do Meio Ambiente (21,86) e Focos de Calor (394,97) revelam uma pressão ambiental severa. O dado de Áreas Verdes Urbanas (169,74) sugere baixíssima infraestrutura verde.

 

Saneamento precário: Apenas 20,15% da população tem acesso a abastecimento de água via rede de distribuição — o pior índice entre os cinco. A coleta de resíduos chega a apenas 33,90% dos domicílios.

 

Evolução 2024→2026: +2,36 — A melhor evolução entre os cinco, mas partindo da base mais baixa. A melhora é consistente, porém insuficiente para fechar o abismo.

 


 

  1. Palmeira do Piauí — baixa densidade de oportunidades e moradia frágil

Direitos Individuais em frangalhos: Com 16,66 em Direitos Individuais, Palmeira do Piauí tem o segundo pior índice deste subcomponente entre os cinco, atrás apenas de Júlio Borges. O indicador de Acesso a Programas de Direitos Humanos é zero — o que significa ausência total de políticas estruturadas nessa área.

 

Moradia deficiente: Apenas 16,72% dos domicílios têm paredes adequadas — o pior índice absoluto entre todos os 24 municípios do território. A coleta de resíduos atende apenas 29,68% das residências. O abastecimento de água via rede atinge 41,84% — ainda muito baixo.

 

Acesso limitado ao ensino superior: Com 23,90 em Acesso à Educação Superior, Palmeira do Piauí tem dificuldade estrutural de oferecer caminhos educacionais avançados à sua juventude.

 

Contradição: Apesar dos baixos indicadores sociais, o município tem o maior Índice de Inclusão Social (86,99) entre os cinco — o que sugere que as políticas de transferência de renda chegam à população, mas não se traduzem em melhoria das condições estruturais de moradia e direitos.

 

Evolução 2024→2026: +0,35 — Praticamente estagnado. Sinal vermelho para a nova gestão.

 


  1. Santa Filomena — meio ambiente sob pressão, direitos frágeis

Crise ambiental silenciosa: Santa Filomena registra 507,25 focos de calor — o pior índice entre os cinco e um dos mais altos do território. A supressão da vegetação primária e secundária (52,53) indica desmatamento ativo. O Índice de Vulnerabilidade Climática (IVCM) de 6,45 sugere exposição crítica a eventos climáticos extremos.

 

Saneamento deficitário: Apenas 39,65% da população tem acesso a água via rede de distribuição. A coleta de resíduos atende 58,58% dos domicílios — o melhor entre os cinco neste aspecto, mas ainda insuficiente.

 

Direitos Individuais (17,01): Terceiro pior entre os cinco. Ausência de ações para direitos de minorias (nota 0) e baixo acesso a programas de direitos humanos.

 

Ponto positivo: Santa Filomena tem o melhor Acesso ao Conhecimento Básico (76,05) entre os cinco — a educação fundamental chega melhor à população, com baixo abandono escolar (0,72 no fundamental, 2,56 no médio) e baixa distorção idade-série (24,3).

 

Evolução 2024→2026: +1,66 — Trajetória moderada de recuperação, puxada possivelmente pelos avanços educacionais.

 


  1. Parnaguá — a riqueza que não vira progresso

Parnaguá é o caso mais emblemático de descolamento entre potencial econômico e resultados sociais. Com o maior PIB per capita entre os cinco (~R$ 13,3 mil), deveria entregar melhores indicadores — mas não entrega.

 

Colapso na atenção primária à saúde: Parnaguá registra 6.899,56 hospitalizações por condições sensíveis à atenção primária (CSAP) — um número absurdamente superior ao dos demais municípios. Morro Cabeça no Tempo, por exemplo, tem 681,89. Isso significa que doenças que deveriam ser tratadas na atenção básica (postos de saúde) estão se agravando e exigindo internações hospitalares. É o indicador mais alarmante de todo o território da Chapada das Mangabeiras.

 

Exclusão digital: O Acesso à Informação e Comunicação (48,67) é extremamente baixo. A densidade de internet banda larga fixa é de apenas 2,77 — contra 60,55 de Bom Jesus. Isso condena Parnaguá ao isolamento informacional.

 

Baixo acesso ao ensino superior (24,67): A juventude local tem poucas perspectivas de formação avançada. A nota mediana do ENEM (449,60) é a mais baixa entre os cinco.

 

Emissões de CO2e (188,68): O segundo pior índice entre os cinco, refletindo atividade econômica com alto custo ambiental.

 

Evolução 2024→2026: +1,02 — Moderada. Insuficiente para um município com a base econômica que tem.

 


  1. Júlio Borges — o menor Oportunidades do território

Júlio Borges tem o maior IPS (53,06) total entre os cinco, mas esconde a pior dimensão de Oportunidades de todo o território (38,58) — incluindo todos os 24 municípios.

 

Direitos Individuais (13,84): O pior índice entre todos os municípios da Chapada das Mangabeiras. É um número que indica ausência quase total de políticas de direitos humanos, acesso à justiça e garantias individuais. A Taxa de Congestionamento Líquida de Processos (70,06) revela um judiciário local sobrecarregado e inacessível.

 

Paradoxo do esgotamento sanitário: Apenas 34,22% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado — o pior entre os cinco. Paradoxalmente, o abastecimento de água via rede (63,44%) é o melhor — o que sugere que a água chega, mas o esgoto não tem destino adequado.

 

Exclusão digital severa: Acesso à Informação e Comunicação (43,80) — o segundo pior entre os cinco. A densidade de internet banda larga fixa é de apenas 0,23 (contra 60,55 em Bom Jesus). É um apagão digital.

 

Mercado de trabalho: Apenas 19,54% dos empregados têm ensino superior — o menor índice entre os cinco. As mulheres empregadas com ensino superior (23,12%) também são as menos representadas.

 

Evolução 2024→2026: +0,38 — Estagnação. Grave, especialmente para um prefeito reeleito.

 


O divisor de águas: a dimensão Oportunidades como diagnóstico comum

Quando comparamos a média dos cinco municípios com Bom Jesus, o padrão é revelador:

Dimensão

Média dos 5 piores

Bom Jesus (PI)

Diferença

Necessidades Básicas

61,27

71,71

-10,44

Fundamentos do Bem-estar

53,08

65,62

-12,54

Oportunidades

41,17

43,76

-2,59

 

A diferença em Oportunidades é relativamente pequena porque Bom Jesus também tem um índice baixo neste pilar (43,76) — o que sugere que a falta de oportunidades não é um problema apenas desses cinco municípios, mas uma condição estrutural de todo o território da Chapada das Mangabeiras.

 

Onde esses cinco municípios realmente perdem para Bom Jesus é em Fundamentos do Bem-estar (-12,54) e Necessidades Básicas (-10,44). É aí que o abismo se materializa: enquanto Bom Jesus consegue oferecer moradia digna, água tratada, saúde básica e educação de qualidade, esses cinco municípios patinam em indicadores que são pré-requisitos mínimos para qualquer política de desenvolvimento.


 

O ranking dos "vilões" por município

Município

Pior dimensão

Pior subindicador

Valor

Benchmark (Bom Jesus)

Morro Cabeça no Tempo

Bem-estar (50,08)

Moradia

44,95

84,15

Palmeira do Piauí

Oportunidades (42,28)

Direitos Individuais

16,66

27,42

Santa Filomena

Oportunidades (41,78)

Qualidade do Meio Ambiente

25,68

49,60

Parnaguá

Oportunidades (39,97)

Hospitalizações CSAP

6.899,56

1.690,00

Júlio Borges

Oportunidades (38,58)

Direitos Individuais

13,84

27,42


O que os números dizem sobre a gestão pública

O diagnóstico dimensional permite afirmar que:

  1. Oportunidades é o pilar mais frágil do território como um todo — incluindo Bom Jesus. Isso sugere um problema de matriz econômica e educacional que transcende gestões municipais e exige políticas de Estado articuladas entre municípios, estado e União.

 

  1. Cada município tem sua emergência específica: para Morro Cabeça no Tempo, o foco deve ser habitação e infraestrutura básica; para Palmeira do Piauí, direitos individuais e moradia; para Santa Filomena, meio ambiente e água; para Parnaguá, atenção primária à saúde; para Júlio Borges, direitos individuais, saneamento e inclusão digital.

 

  1. A saúde preventiva é o calcanhar de Aquiles de Parnaguá — o volume de hospitalizações por condições sensíveis à atenção primária é 4 vezes maior que o de Bom Jesus e 10 vezes maior que o de Morro Cabeça no Tempo. Isso indica que o sistema de atenção básica local não está cumprindo seu papel de prevenir o agravamento de doenças.

 

  1. Direitos Individuais é o componente mais crítico da dimensão Oportunidades, com Júlio Borges (13,84) e Palmeira do Piauí (16,66) registrando índices extremamente baixos. A ausência de acesso a programas de direitos humanos e de ações para minorias (nota 0 em vários municípios) revela uma lacuna institucional que precisa ser enfrentada com políticas públicas específicas.

 


 

Caminhos para transformação: a gestão de impacto como eixo

Reverter indicadores tão críticos exige mais que boa vontade administrativa — demanda mudança de abordagem na gestão pública. O Método Gestão de Impacto (MGI) propõe um caminho estruturado que poderia beneficiar especialmente os cinco municípios:

 

1. Diagnóstico territorial por dimensão: Cada município precisa mapear com precisão qual das três dimensões do IPS — Necessidades Básicas, Bem-estar ou Oportunidades — é o principal gargalo. Sem esse raio-X, os recursos escassos podem ser mal direcionados.

 

2. Priorização de investimentos com base em evidências Para Palmeira do Piauí e Júlio Borges, onde a evolução foi praticamente zero entre 2024 e 2026, é urgente revisar a alocação orçamentária. O MGI propõe que cada real gasto seja vinculado a metas de impacto social mensuráveis.

 

3. Gestão matricial e articulação regional Municípios pequenos têm capacidade administrativa limitada. A atuação em consórcio — compartilhando equipes técnicas, equipamentos e know-how — pode ampliar o alcance das políticas públicas sem multiplicar custos. A Chapada das Mangabeiras, articulada em torno do polo de Bom Jesus, tem potencial para uma estratégia integrada de desenvolvimento territorial.

 

4. Transparência e monitoramento contínuo: A evolução do IPS a cada ano precisa ser uma ferramenta de gestão, não apenas um retrato estático. Secretarias municipais podem adotar o IPS como indicador síntese de progresso social, desdobrando metas anuais por dimensão e divulgando os resultados à população.

 

5. Atração de investimentos produtivos: O baixo PIB per capita e a reduzida base de empregos formais — Parnaguá tem apenas 671 empregos formais para 10 mil habitantes — indicam a necessidade de políticas ativas de desenvolvimento econômico, com foco em vocações regionais como agricultura familiar fortalecida, turismo de natureza e energias renováveis.


 

Fechamento: o tamanho do desafio

Os dados do IPS Brasil 2026 são um alarme silencioso para a Chapada das Mangabeiras. Os cinco municípios com menor índice no território — Morro Cabeça no Tempo, Palmeira do Piauí, Santa Filomena, Parnaguá e Júlio Borges — representam um retrato das desigualdades regionais que persistem no Piauí.

 

Há sinais de esperança: todos evoluíram positivamente entre 2024 e 2026, e três deles (Morro Cabeça no Tempo, Santa Filomena, Parnaguá) estão em trajetória de recuperação consistente. Mas a velocidade da melhora é insuficiente para reduzir o abismo que os separa da média nacional.

 

Para os prefeitos que iniciaram mandatos em 2025 — Hugo Rosal (SOLIDARIEDADE) em Palmeira do Piauí e Miguelão (PP) em Parnaguá —, o IPS 2026 será a linha de base contra a qual suas gestões serão cobradas em 2028. Para os reeleitos Josué (PP), Dr. Fernando (PSD) e João Paulo (PP), a cobrança é ainda maior: os números de 2026 refletem, em parte, o trabalho que já vinha sendo feito.

 

Que estes indicadores não sejam apenas números em uma planilha, mas um chamado à ação para transformar a realidade de milhares de piauienses que ainda esperam por serviços básicos — água tratada, saúde de qualidade, educação que transforma, oportunidades que geram dignidade.

 

* Esta reportagem foi produzida com base nos dados do IPS Brasil 2026 (ipsbrasil.org.br)


Resumindo

  • Os cinco municípios com menor IPS 2026 na Chapada das Mangabeiras são: Morro Cabeça no Tempo (50,27), Palmeira do Piauí (51,31), Santa Filomena (52,04), Parnaguá (52,52) e Júlio Borges (53,06) — todos entre os 5.500 piores índices do Brasil
  • Todos evoluíram positivamente entre 2024 e 2026, mas Palmeira do Piauí (+0,35) e Júlio Borges (+0,38) estão praticamente estagnados
  • A média dos cinco (51,84) está muito abaixo da média do Piauí (60,48), do Brasil (63,40) e do líder nacional Gavião Peixoto/SP (73,10)
  • Dois prefeitos são novos mandatos (janela de oportunidade), três foram reeleitos (cobrança por resultados já esperados)
  • O MGI (Método Gestão de Impacto) aponta caminhos: diagnóstico preciso, priorização baseada em evidências, articulação regional e monitoramento contínuo.
Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 25 de julho de 2026

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