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Sob Sílvio Mendes, qualidade de vida recua e capital despenca 444 posições no ranking nacional

Gestão atual em Teresina é pior que o último ano do Dr. Pessoa em qualidade de vida dos teresinenses, segundo o IPS BRASIL 2026

31 de julho de 2026 às 12:55 178 visualizações

Prefeito Sílvio Mendes consegue entregar menos que o Dr. Pessoa (Imagens de Internet)

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Teresina vive um atraso estrutural. Dois anos após uma eleição decidida no primeiro turno sob a promessa de eficiência e reconstrução, a capital do Piauí enfrenta um veredito estatístico amargo: a cidade não apenas perdeu o posto de melhor qualidade de vida do estado para um município de apenas 3 mil habitantes, como viu seus indicadores de bem-estar retrocederem para níveis inferiores aos da gestão anterior.

 

O prefeito Sílvio Mendes (União Brasil), eleito com 52,19% dos votos em uma campanha pautada por críticas ferozes ao antecessor, Dr. Pessoa, entregou, até agora, um desempenho social que não sustenta a retórica das urnas. Segundo o IPS Brasil 2026, o Índice de Progresso Social de Teresina recuou de 67,37 para 66,02 pontos. O que parece uma oscilação decimal é, na verdade, um tombo histórico: a capital despencou da 129ª para a 573ª colocação entre os 5.570 municípios brasileiros — um declínio de 444 posições em apenas dois anos.

 

Recorte da página https://ipsbrasil.org.br/explore/scorecard/2211001?year=2024

 

Recorte da página https://ipsbrasil.org.br/explore/scorecard/2211001?year=2026

 

A asfixia das oportunidades

O "raio-x" do IPS revela que o gargalo da atual administração não reside nas necessidades básicas, onde houve avanços marginais, mas no horizonte de futuro do cidadão. A dimensão Oportunidades — que mede direitos, liberdades e inclusão — sofreu uma queda acentuada, desabando de 61.98 em 2024, para 55.77 pontos em 2026.

 

Este componente é o termômetro de fatores cruciais como inclusão social, acesso ao ensino superior e liberdades individuais. Na prática, os dados sugerem que a gestão Sílvio Mendes, embora tenha buscado o equilíbrio fiscal, falhou em converter recursos em janelas de progresso para a população.

 

O peso do contraste

A ironia jornalística deste cenário é inevitável. Dr. Pessoa encerrou seu mandato com uma rejeição que superava os 90% e foi apontado pela Atlas Intel como o "pior prefeito das capitais brasileiras". No entanto, sob a ótica rigorosa do IPS — que ignora o PIB e foca exclusivamente no que chega à ponta para o cidadão —, Teresina era mais equilibrada socialmente em 2024 do que é hoje.

 

Na comparação regional, o recuo é igualmente severo. Teresina deixou de ser a 2ª melhor capital do Nordeste para ocupar a 4ª posição, e no ranking geral das capitais brasileiras, caiu do 11º para o 16º lugar. O veredito do IPS 2026 é um lembrete de que a eficiência administrativa não se mede apenas em planilhas de ajuste, mas na capacidade de manter a cidade como um motor de progresso social. Para o teresinense, a "mudança" prometida em 2024 tornou-se, até o momento, uma saudade estatística de um passado que ele mesmo rejeitou.

 

Comparativo de Qualidade de Vida: Teresina (IPS 2024 vs. 2026)

Indicador / Ranking

Gestão Dr. Pessoa (2024)

Gestão Sílvio Mendes (2026)

Variação / Impacto

Pontuação Geral IPS

67,37

66,02

-1,35 pontos em 2026

Ranking Nacional (Municípios)

129ª posição

573ª posição

📉 Gestão Sílvio Mendes despencou - 444 posições no IPS BRASIL 2026

Ranking das Capitais Brasileiras

11º lugar

16º lugar

Teresina caiu 5 posições em 2026

Capitais do Nordeste

2º lugar

4º lugar

Teresina caiu 2 posições em 2026

Ranking no Piauí

1º lugar (Líder)

2º lugar

Perda da liderança estadual em 2026

Dimensão Necessidades Humanas Básicas

70,99 pontos / 3.080ª posição

71,23 pontos / 3.582ª posição

Gestão atual cresceu 0,24 pontos, mas despencou 502 posições no Brasil

Dimensão Fundamentos do Bem-Estar

69,15 pontos / 706ª posição

71,07 pontos / 500ª posição

Gestão Sílvio Mendes cresceu 1,92 pontos nessa dimensão, e ultrapassou 206 municípios

Dimensão Oportunidades

61,98 pontos / 2ª posição

55,77 pontos / 39ª posição

Gestão Sílvio Mendes teve a maior queda nessa dimensão (- 6,21 pontos)

FONTE: https://ipsbrasil.org.br/

 

Comparativo entre capitais brasileiras e DF # IPS 2026x2024

Capital

UF

Nota IPS 2026

Posição 2026

Nota IPS 2024

Posição 2024

Variação da Nota (2026-2024)

Curitiba

PR

71,29

1

69,36

5

1,93

Brasília

DF

70,73

2

71,25

1

-0,52

São Paulo

SP

70,64

3

68,79

6

1,85

Campo Grande

MS

69,77

4

68,21

8

1,56

Belo Horizonte

MG

69,66

5

69,62

3

0,04

Goiânia

GO

69,47

6

70,49

2

-1,02

Palmas

TO

68,91

7

68,07

9

0,84

Florianópolis

SC

68,73

8

69,56

4

-0,83

João Pessoa

PB

67,73

9

65,55

16

2,18

Cuiabá

MT

67,22

10

68,47

7

-1,25

Rio de Janeiro

RJ

67,00

11

66,41

14

0,59

Porto Alegre

RS

66,94

12

66,90

13

0,04

Natal

RN

66,82

13

64,45

17

2,37

Aracaju

SE

66,35

14

67,89

10

-1,54

Vitória

ES

66,02

15

67,20

12

-1,18

Teresina

PI

66,02

16

67,37

11

-1,35

São Luís

MA

65,64

17

65,69

15

-0,05

Fortaleza

CE

65,15

18

64,42

18

0,73

Boa Vista

RR

64,49

19

62,76

22

1,73

Manaus

AM

63,91

20

64,35

19

-0,44

Belém

PA

63,90

21

62,51

24

1,39

Rio Branco

AC

63,44

22

62,68

23

0,76

Recife

PE

63,22

23

63,73

21

-0,51

Salvador

BA

62,18

24

63,80

20

-1,62

Maceió

AL

61,96

25

62,37

25

-0,41

Macapá

AP

59,65

26

58,03

26

1,62

Porto Velho

RO

58,59

27

57,10

27

1,49

FONTE: https://ipsbrasil.org.br/

 

A Autoridade do IPS: O Raio-X do Bem-Estar

Para entender a magnitude deste feito, é preciso compreender o que é o IPS. Criado originalmente pela organização global sem fins lucrativos Social Progress Imperative, o índice foi adaptado para a realidade brasileira por uma coalizão de peso que inclui o IPS Brasil, o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), a Fundação Avina e o Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

 

Diferente dos indicadores tradicionais que se curvam ao Produto Interno Bruto (PIB), o IPS é uma bússola social rigorosa. Ele ignora o quanto a cidade produz de riqueza financeira e foca exclusivamente no que chega à ponta: o cidadão. A metodologia é baseada em 57 indicadores sociais e ambientais de fontes públicas oficiais. Segundo o IPS Brasil, os dados são reunidos em um índice com pontuação de 0 a 100, e estão estruturados em três dimensões fundamentais e doze componentes:

 

  1. Necessidades Humanas Básicas: Nutrição e cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal.
  2. Fundamentos do Bem-estar: Acesso ao conhecimento básico, acesso à informação e comunicação, saúde e bem-estar e qualidade do meio ambiente.
  3. Oportunidades: Direitos individuais, liberdades individuais e de escolha, inclusão social e acesso à educação superior.

 

Além disso, o índice avalia fatores como cobertura vacinal, hospitalizações, mortalidade, subnutrição; abastecimento de água e saneamento, moradia, coleta de lixo; homicídios, mortes por acidentes de transporte; evasão no ensino fundamental e médio; cobertura de internet móvel (4G/5G), Internet banda larga fixa; expectativa de vida, mortalidade, obesidade, suicídios;  qualidade do meio ambiente, supressão da vegetação primária e secundária; acesso a programas de direitos humanos; acesso à cultura, lazer e esporte; gravidez na adolescência,  praças e parques em áreas urbanas; famílias em situação de rua, violência contra mulheres e negros, mulheres empregadas com ensino superior e nota mediana no Enem, dentre outros.

 

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Esta reportagem foi construída exclusivamente a partir do cruzamento de bases de dados públicas e oficiais, disponíveis no site www.ipsbrasil.org.br. Cada número aqui publicado pode ser verificado por qualquer cidadão nas fontes originais.

 

Diferentemente do procedimento jornalístico clássico, esta edição não buscou previamente a Prefeitura de Teresina para comentar os dados. A razão é simples e deve ser dita com a transparência que o leitor merece: o Farol Municipal é um veículo em estruturação, e o ciclo de apuração desta primeira investigação se encerrou antes que os contatos institucionais fossem estabelecidos.

 

Isso não diminui a obrigação do jornalismo de publicar — os dados são públicos, a metodologia do IPS é aberta e os números falam por si. Mas significa que esta é uma reportagem aberta, não um veredicto final.

 

O espaço para manifestação está aberto. As gestões citadas podem, a qualquer tempo, enviar suas respostas, esclarecimentos ou contestações à redação. A reportagem será imediatamente atualizada com a versão de cada gestor, e uma nova edição será publicada com as réplicas na íntegra — sem cortes, sem edições que descaracterizem o teor.

 

Acreditamos que o jornalismo não é um monólogo sobre os fatos, mas um diálogo com a realidade. E este diálogo está apenas começando. Fale conosco: Whatsapp 89.99465-9661.

 

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Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 31 de julho de 2026

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