ENTRE-RIOS

Entre Rios: o território que abriga a capital e revela um paradoxo

Com 31 municípios e evolução média de 1,85 ponto no IPS, a região que concentra Teresina mostra que tamanho econômico não é garantia de progresso social — enquanto cidades do interior aceleram, a capital perde fôlego

27 de julho de 2026 às 22:32 36 visualizações

 

O Território Entre Rios concentra a maior economia do Piauí. Mas os números do IPS contam uma história que vai além do PIB.

 

Com uma média de 59,07 pontos no IPS 2026 e evolução média de 1,85 ponto entre 2024 e 2026, os 31 municípios da região apresentam um desempenho mediano. O dado, no entanto, esconde um paradoxo que nenhum gestor deveria ignorar: enquanto cidades do interior aceleram com saltos de mais de 5 pontos, a capital do estado registra retrocesso.

 

O raio-x do território

Município Prefeito Partido Status Índice IPS 2026 Posição no Território Posição Piauí 2026 Índice Evolução 2026 -2024 Posição Evolução Território
Olho D'Água do Piauí Toinho PP Reeleito 66,06 1 1 3,45 6
Teresina Sílvio Mendes UNIÃO Novo Mandato 66,02 2 2 -1,35 31
Santo Antônio dos Milagres Paulo Cazimiro PSD Reeleito 62,77 3 13 3,92 4
Demerval Lobão Junior Carvalho PP Novo Mandato 62,48 4 16 4,58 2
São Gonçalo do Piauí Gerlane Cabral MDB Novo Mandato 61,91 5 20 1,39 19
Miguel Leão Neuza Araújo PP Novo Mandato 61,64 6 24 2,34 10
Água Branca Júnior Ribeiro PSD Reeleito 61,05 7 35 0,64 24
Barro Duro Coronel Eloi PSD Reeleito 61 8 36 1,06 22
José de Freitas Pedro Gomes PT Novo Mandato 60,89 9 39 1,5 17
Lagoinha do Piauí Kelly Alencar MDB Reeleito 60,46 10 54 4,12 3
Angical do Piauí Bruno Neto MDB Reeleito 60,33 11 57 1,09 21
Coivaras João Mourão PT Novo Mandato 60,11 12 60 0,73 23
Agricolândia Marcão do Povo MDB Reeleito 59,78 13 70 1,99 14
Curralinhos Everardo Araújo PT Reeleito 59,67 14 75 2,8 9
Passagem Franca do Piauí Saulo Trajano PT Reeleito 59,53 15 79 2,33 11
Hugo Napoleão Luciano PT Novo Mandato 59,35 16 86 -0,32 29
Regeneração Seu Dua PSD Reeleito 59,24 17 87 5,59 1
Beneditinos Dr. Talles PSD Novo Mandato 58,77 18 98 0,61 26
Lagoa do Piauí Camila Barbosa PT Reeleito 58,7 19 101 0,63 25
Altos Maxwell da Mariínha MDB Reeleito 58,31 20 113 2,16 13
Pau D'Arco do Piauí Milton Passos PT Novo Mandato 57,95 21 125 1,47 18
Monsenhor Gil Dr. Evandro PSD Novo Mandato 57,35 22 144 -0,91 30
Jardim do Mulato Binha PP Novo Mandato 57,07 23 150 2,81 8
União Gustavo Medeiros PP Reeleito 56,69 24 163 0,45 27
Lagoa Alegre Dr. Osaelzim PDT Novo Mandato 56,58 25 166 3,9 5
São Pedro do Piauí Manin do Povo PP Novo Mandato 56,56 26 168 1,26 20
Amarante Professor Adriano REPUBLICANOS Novo Mandato 55,83 27 180 1,81 15
Alto Longá Belauto Bigode PT Reeleito 55,15 28 192 0,08 28
Palmeirais Baltazar Campos SOLIDARIEDADE Reeleito 54,59 29 199 2,24 12
Nazária Tropi MDB Novo Mandato 52,83 30 219 1,65 16
Miguel Alves Veim da Fetraf MDB Reeleito 52,51 31 221 3,28 7
MÉDIA       59,07     1,85  

FONTES: ipsbrasil.org.br e TSE

Olho D'Água do Piauí surpreende e lidera o ranking com 66,06 pontos, seguido de perto por Teresina (66,02) e Santo Antônio dos Milagres (62,77). Demerval Lobão (62,48) e São Gonçalo do Piauí (61,91) completam o topo. Na outra ponta, Miguel Alves (52,51), Nazária (52,83) e Palmeirais (54,59) mostram que o caminho é longo.

 

Mas o dado que mais impressiona está na evolução. Regeneração saltou impressionantes 5,59 pontos entre 2024 e 2026 — a maior evolução do território. Demerval Lobão também avançou com força: +4,58. Lagoinha do Piauí (+4,12), Santo Antônio dos Milagres (+3,92) e Lagoa Alegre (+3,90) completam o grupo das cidades que mais aceleraram.

 

O que essas cidades fizeram de diferente? Não foi milagre orçamentário. Foi método.

 

Por outro lado, Teresina — a capital do estado — registrou -1,35 ponto de evolução, o pior resultado do território e um dos mais preocupantes do Piauí. Monsenhor Gil (-0,91) e Hugo Napoleão (-0,32) também ficaram no negativo. Um sinal claro de que, sem integração entre as secretarias e sem um plano coordenado, nem mesmo a maior economia do estado garante avanço social.

 

Onde a gestão integrada faz a diferença

Os números por dimensão do IPS revelam os gargalos de Entre Rios. Em Moradia, Teresina lidera com 89,62, seguida por Água Branca (88,62) e Angical do Piauí (85,64). Já em Oportunidades, o cenário é preocupante: São Pedro do Piauí marca apenas 35,47, Monsenhor Gil 39,77 e Altos 40,10 — enquanto a própria Teresina, mesmo sendo capital, chega a apenas 55,77.

 

A Segurança Pessoal é onde o contraste mais dói: Olho D'Água do Piauí, Santo Antônio dos Milagres, São Gonçalo do Piauí e Hugo Napoleão atingem 83,30, enquanto Teresina marca apenas 37,06 — a pior do território e uma das mais baixas do estado.

 

O que esses números revelam é que nenhuma secretaria resolve sozinha. Saúde, Educação e Saneamento — as três dimensões que mais pesam no índice — estão profundamente conectadas. Uma criança que abandona a escola não é apenas um problema da Educação: é um indicador que vai ecoar na Saúde, na Assistência Social e, mais tarde, nas Oportunidades.

 

Os gestores que entenderem essa lógica antes dos outros não vão apenas subir no ranking. Vão blindar o mandato.

 

Quem está na frente já percebeu

Dos 31 prefeitos do território, 15 iniciaram mandato em 2025 — entre eles Sílvio Mendes (UNIÃO), em Teresina; e Junior Carvalho (PP), em Demerval Lobão, que comandou o segundo maior salto; Os outros 16 foram reeleitos, como Toinho (PP), em Olho D'Água do Piauí — a líder do ranking; Seu Dua (PSD), em Regeneração, a cidade que mais evoluiu no território — e Kelly Alencar (MDB), em Lagoinha do Piauí, que registrou a terceira maior evolução.

 

Mas a pergunta que paira sobre o Entre Rios é outra: os 31 municípios vão continuar evoluindo no mesmo ritmo? Ou a capital vai acordar enquanto o interior acelera ainda mais?

 

O histórico recente mostra que quem age de forma integrada colhe resultados mais rápidos. Quem espera, vê o abismo aumentar.

 

O caminho para a próxima virada

Não é preciso contratar consultorias milionárias nem esperar por novos recursos. O que separa uma gestão que avança de uma que patina é, muitas vezes, uma única tarde com as pessoas certas na mesma sala — olhando para os mesmos números e saindo de lá com um plano.

 

O Farol Municipal desenvolveu um formato de imersão presencial — dentro do próprio município, em apenas quatro horas — que já está ajudando prefeituras a integrar suas secretarias, identificar gargalos e desenhar um plano de metas para subir no ranking do IPS. Para os gestores do Entre Rios que quiserem entender como levar essa imersão para a sua cidade, a equipe do Farol está à disposição. Os primeiros municípios a se movimentarem tendem a colher os resultados mais expressivos.

 

O Território Entre Rios já provou que sabe evoluir. A questão agora é: quem vai liderar a próxima virada?

 

Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 27 de julho de 2026

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