DESTAQUES

O Piauí no pódio: a revolução silenciosa que colocou o estado entre os três maiores mercados do Brasil

Enquanto os holofotes se voltavam para outros polos, o Piauí crescia em silêncio. Agora, o estado que ninguém via disputa espaço com gigantes — e tem a receita para se manter no pódio.

03 de setembro de 2026 às 15:23 78 visualizações

 

 

Conecte-se com a sua cidade: Siga @farol_municipal no Instagram e tenha informação de qualidade sempre à mão!

 

Em 2024, o Piauí era o 7º estado brasileiro com maior potencial de mercado. Em 2026, é o 3º — atrás apenas de Santa Catarina e Roraima, e à frente de todos os estados do Nordeste. Entre um número e outro, há uma história que o Brasil ainda não contou direito: a de um estado que deixou de ser periferia para virar pódio, com 96,23 pontos em um indicador cuja média nacional é de 56,04. Esta reportagem reconstrói essa trajetória, explica o que o ranking realmente mede e mostra por que o resultado não é um acaso — e por que ainda não é suficiente.

 

 

O que o ranking mede — e por que o 3º lugar muda a conversa

O Ranking de Competitividade dos Estados, publicado desde 2011 pelo Centro de Liderança Pública (CLP), com apoio técnico da Tendências Consultoria, avalia as 27 unidades da federação a partir de 10 pilares temáticos e mais de 100 indicadores — infraestrutura, educação, segurança pública, solidez fiscal, capital humano, inovação, sustentabilidade social e ambiental, entre outros.

 

FONTES: CLP / SEPLAN-PI / GOVERNO DO PIAUÍ

 

O pilar Potencial de Mercado responde por 9,1% da nota final e reúne sete indicadores: tamanho de mercado, taxa de crescimento, crescimento potencial da força de trabalho, comprometimento de renda, qualidade de crédito para pessoa física, volume de crédito e inadimplência. O painel oficial do ranking define o indicador como a mensuração do tamanho da economia estadual — "fator decisivo para a localização de investimentos e a criação de ciclos virtuosos de desenvolvimento".

 

A literatura de geografia econômica, como o próprio governador do Piauí, Rafael Fonteles, lembrou ao divulgar o resultado, associa potencial de mercado ao acesso à demanda agregada e ao crescimento regional. Em linguagem direta: onde há mercado em expansão, população em idade de trabalho crescendo e crédito de qualidade, o capital privado decide se instalar. O Piauí, hoje, é exatamente esse lugar — e a pontuação de 96,23, quase o dobro da média nacional, é a prova numérica disso.

 

 

A voz do governador

Governador Rafael Fontes (Imagem de internet: g1.globo.com)

 

Ao celebrar o resultado, o governador Rafael Fonteles foi direto:

_____________________________

"O Piauí segue mostrando que planejamento e trabalho dão resultados. Estar entre os estados com maior potencial de mercado do Brasil é prova de que estamos avançando, atraindo investimentos e garantindo mais desenvolvimento para nossa gente."

_____________________________

 

Em seu perfil oficial, @rafael.fonteles, Fonteles publicou o mapa do Brasil com o Piauí marcado em 3º lugar e explicou a metodologia do ranking — o peso de 9,1% do pilar, os sete indicadores, a relação entre crédito e crescimento de longo prazo. Dias antes, ele havia participado, em São Paulo, do lançamento oficial da edição 2026, classificando o resultado como "a melhor colocação da nossa história". A imprensa nacional repercutiu: o Estadão dedicou reportagem ao desempenho histórico do estado.

 

 

A trajetória: de 7º a 3º em dois anos

O pódio não foi um salto isolado. Em dezembro de 2024, o Piauí já figurava em 7º lugar no pilar — um crescimento de quatro posições em relação à edição anterior. Dois anos depois, subiu mais quatro degraus e alcançou o 3º lugar nacional. No ranking geral, o estado também vive seu melhor momento: 19ª posição, a melhor da série histórica, com salto de duas colocações e evolução de 34,6 para 39,36 pontos.

 

Por trás dos números, há uma engrenagem concreta. Entre 2023 e 2025, o governo estadual consolidou mais de R$ 44 bilhões em prospecções de investimentos privados, com 120 empreendimentos atraídos em setores como energias renováveis, agronegócio, mineração e hotelaria — números apresentados pelo próprio governador em fevereiro de 2026 e repercutidos pela imprensa nacional. O estado, com mais de 250 mil km², deixou de ser periferia para se tornar destino.

FONTES:  SEPLAN-PI / IBGE (PIB 2023)

 

 

A engrenagem por trás do pódio

FONTES: CLP / SEPLAN-PI / GOVERNO DO PIAUÍ

 

O 3º lugar em potencial de mercado não é um fenômeno isolado — é a ponta visível de uma estratégia que o Piauí vem construindo peça por peça. No centro dela estão as 21 cadeias produtivas que o estado elegeu como espinha dorsal do crescimento, organizadas em cinco macrossetores: agroindústria e manufatura local; proteínas animais e economia azul; fruticultura e biodiversidade da caatinga e do cerrado; serviços avançados, energia e infraestrutura; e empreendedorismo digital e economia do conhecimento. Cada cadeia nasce de uma vocação territorial e termina em um mercado — do mel de Picos exportado para os Estados Unidos e a Europa ao agronegócio de grãos que cruza o sul do estado.

 

Sustentando essas cadeias, há uma arquitetura institucional desenhada para reduzir o custo de fazer negócio: o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que devolve ao produtor local a condição de vender com selo sanitário; a Redesim e a Jucepi, que encurtam a abertura de empresas de semanas para horas; o crédito do Banco do Nordeste via FNE e o microcrédito da Piauí Fomento, que chegam ao pequeno empreendedor; as parcerias público-privadas com o BNDES; o alinhamento estratégico da Investe Piauí e do Pacto pela Economia; e a segurança jurídica da regularização fundiária conduzida pelo Interpi. Potencial de mercado, na prática, é isso: um ecossistema que converte vocação produtiva em empreendimento — e empreendimento em emprego.

 

A tese que costura o pódio ao chão é uma só: potencial de mercado só vira riqueza se houver política pública para interiorizar o desenvolvimento. O ranking atesta o potencial; a execução acontece cadeia por cadeia, município por município, nos doze territórios de desenvolvimento criados pela Lei Complementar nº 87/2007 e ratificados pela Lei 6.967/2017 — a malha administrativa que transforma a estratégia estadual em realidade capilar, do litoral ao cerrado.

 

 

Os doze territórios: o motor da interiorização

 

1. Entre Rios — Teresina. O coração administrativo e o maior mercado consumidor do estado. Concentra o hub de serviços, inovação e logística, o cinturão verde de hortaliças, o artesanato do Poti Velho e a reciclagem especializada. É a vitrine que conecta o interior ao país — e o território onde o potencial de mercado do ranking se materializa em consumo diário.

 

2. Planície Litorânea — Parnaíba. A economia azul piauiense. O Delta do Parnaíba — o único delta em mar aberto das Américas —, o turismo costeiro, a pesca e a fruticultura irrigada convivem com as energias renováveis e o Porto de Luís Correia, porta de escoamento das amêndoas de caju para o mercado externo. Parnaíba, segunda maior cidade do estado, é o contraponto litorâneo à capital.

 

3. Cocais — Piripiri, Pedro II e Esperantina. Polo natural de confecções e moda, floricultura tropical, artesanato de luxo e joalheria — com a única jazida de opala do Brasil, em Pedro II —, além do turismo do Parque Nacional de Sete Cidades e do extrativismo do babaçu e da carnaúba.

 

4. Carnaubais — Campo Maior. A terra da carnaúba, a "árvore da providência", cuja cera refinada abastece mercados globais de tecnologia, cosméticos e componentes automotivos. Cenário da Batalha do Jenipapo, guarda uma identidade histórica que sustenta cadeias de valor de alcance mundial — e, com apenas 2,97% da riqueza estadual, um dos maiores desafios de interiorização.

 

5. Vale do Sambito — Valença. Vocação agropecuária, panificação e biscoitos regionais, mandiocultura tecnificada, avicultura caipira e laticínios artesanais. Com a menor participação na riqueza do estado (1,86%), é o território que mais precisa — e mais pode ganhar — com as 21 cadeias produtivas.

 

6. Vale do Rio Guaribas — Picos. O entroncamento comercial do estado. Polpas de frutas, cajucultura avançada, ovino-caprinocultura e a apicultura orgânica: Picos é polo exportador de mel para os Estados Unidos e a Europa, prova de que o semiárido piauiense produz para o mundo.

 

7. Vale do Canindé — Oeiras. Berço do Piauí — foi a primeira capital do estado. As barragens sustentam a piscicultura em tanques-rede, a fruticultura irrigada e a avicultura. Com 2,35% da riqueza estadual, guarda um potencial adormecido que a integração agroindustrial pode despertar.

 

8. Serra da Capivara — São Raimundo Nonato. Patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO, com um dos mais importantes acervos de arte rupestre do planeta. O turismo arqueológico e científico é a âncora de uma economia criativa que se soma à ovinocaprinocultura e à apicultura do semiárido.

 

9. Chapada das Mangabeiras — Bom Jesus. O motor do agronegócio de larga escala, no coração do MATOPIBA. Grãos, soja e algodão sustentam recordes de exportação, e o eixo Uruçuí–Bom Jesus concentra a logística de transbordo, armazenagem e manutenção que atende a frota do agronegócio.

 

10. Chapada do Vale do Rio Itaim — Paulistana. Fronteira mineral e de energias limpas. Eólica e solar se somam à cajucultura, à mandiocultura e à apicultura em um território de transição entre o semiárido e o cerrado.

 

11. Tabuleiros do Alto Parnaíba — Uruçuí. A nova fronteira agrícola do estado. Expansão de grãos, piscicultura, laticínios e infraestrutura de armazenagem compõem um dos territórios de crescimento mais acelerado do Piauí.

 

12. Vale dos Rios Piauí e Itaueira — Floriano. Potencial de integração regional e produção diversificada, com vocação para energia solar e cadeias de base familiar. Floriano, principal centro urbano do território, é a ponte logística entre o norte e o sul do estado.

 

 

O capital humano do futuro

Um dos sete indicadores do pilar é o crescimento potencial da força de trabalho. O Piauí não esperou o futuro chegar: formou-o. O programa de Inteligência Artificial da rede estadual de ensino — pioneiro no Brasil — atende mais de 120 mil estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, com cerca de 800 professores capacitados em 540 unidades escolares. Em outubro de 2025, a iniciativa venceu o Prêmio UNESCO, disputando com 86 projetos de 50 países. O governo investiu mais de R$ 1,1 milhão apenas na formação docente para sustentar a disciplina.

 

A conexão com o ranking é direta: o mercado que o CLP mede hoje será ocupado, amanhã, por jovens que já aprendem lógica de programação e inteligência artificial na escola pública. É o potencial de mercado sendo construído dentro da sala de aula — e é por isso que o indicador de força de trabalho do Piauí cresce enquanto o de outros estados envelhece.

 

 

O contraponto responsável

Uma reportagem de rigor não celebra sem ressalvas. No ranking geral, o Piauí ainda ocupa a 19ª posição, distante da líder Santa Catarina (87,6 pontos). A formalidade do mercado de trabalho registra 17,17 pontos contra 48,32 da média nacional: o potencial de mercado ainda não se converteu, na mesma velocidade, em empregos formais. Dados da Seplan indicam que a riqueza estadual permanece concentrada — apenas três dos doze territórios respondem pela maior parte da economia, enquanto Vale do Sambito (1,86%), Vale do Canindé (2,35%) e Carnaubais (2,97%) seguem com participações marginais. E o próprio programa premiado de IA esbarra, segundo a Folha de S.Paulo, na qualidade da internet em parte das escolas.

 

É exatamente nesses espaços — os territórios mais pobres, os municípios sem fibra óptica, os mercados de trabalho ainda informais — que as 21 cadeias produtivas encontram sua razão de ser. O 3º lugar é a senha; a interiorização é o caminho.

 

 

Conclusão editorial

O Piauí não é mais uma promessa. É um processo em plena execução — com o mapa da riqueza desenhado, os territórios mapeados, os professores formados e o capital privado chegando. O 3º lugar em potencial de mercado diz ao Brasil e ao mundo o que os piauienses já sabiam: aqui há mercado, há gente jovem, há crédito e há um governo que planeja. O desafio agora é transformar potencial em prosperidade distribuída — e é exatamente aí que os doze territórios e as 21 cadeias produtivas entram em cena. O pódio é o começo, não o fim.


 

 

Conecte-se com a sua cidade: Siga @farol_municipal no Instagram e tenha informação de qualidade sempre à mão!

Por: Wedson Bezerra Pereira – nAalista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 03 de setembro de 2026

Controle de Qualidade Editorial

Este portal preza pela exatidão técnica das informações sobre gestão pública.

A informação foi útil?

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!