SERRA DA CAPIVARA

À margem do progresso: os municípios com os menores índices de qualidade de vida na Serra da Capivara — e o paradoxo da riqueza que não vira dignidade

Uma investigação aprofundada sobre Várzea Branca, Fartura do Piauí, Dom Inocêncio, Bonfim do Piauí e Caracol revela o fosso entre capacidade fiscal e bem-estar social — e expõe como R$ 990 milhões em riqueza podem coexistir com um dos piores índices de qualidade de vida do Brasil

26 de julho de 2026 às 13:51 25 visualizações

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Vista da Serra da Capivara – Imagem de internet

 

1. O ABISMO ENTRE ARRECADAÇÃO E REALIDADE

Há uma pergunta fundamental que o Índice de Progresso Social (IPS) impõe à gestão pública contemporânea: o capital que transita pelos cofres municipais está, de fato, sendo convertido em dignidade humana? No Piauí, a resposta para um grupo específico de municípios da Serra da Capivara é um alarmante "não". Esta investigação não se limita a analisar números frios; ela disseca o abismo entre a arrecadação fiscal e a realidade vivida por milhares de cidadãos que permanecem à margem do desenvolvimento, apesar de habitarem territórios que geram cifras bilionárias.

 

A análise detalhada dos 57 indicadores do IPS Brasil 2026, cruzada com o Valor Adicionado (VA) do ICMS e dados do IBGE, revela um cenário de ineficiência administrativa sem precedentes. O caso de Dom Inocêncio é o epicentro deste paradoxo: com um VA de R$ 990,3 milhões, o segundo maior do território, o município entrega um IPS de 54,00 pontos, amargando a 207ª posição no estado. Em contrapartida, Fartura do Piauí, com apenas R$ 4,8 milhões de VA (200 vezes menor), alcança praticamente o mesmo resultado (53,90). A eficiência de conversão de Dom Inocêncio é de R$ 18,3 milhões por ponto de IPS, enquanto Fartura opera com R$ 90 mil por ponto. Essa disparidade prova que o subdesenvolvimento não é uma fatalidade financeira, mas uma escolha de gestão.

 

A Serra da Capivara expõe um fosso estrutural que deveria incomodar os governantes. Enquanto João Costa (61,40) alcança a 29ª posição no Piauí e supera a média estadual (60,48), cinco municípios — a poucos quilômetros de distância — ocupam as posições 201ª a 216ª no estado, distantes 19,18 pontos da cidade mais bem colocada do Brasil, Gavião Peixoto-SP (73,10).


 

2. O TERRITÓRIO DA SERRA DA CAPIVARA: UM DIAGNÓSTICO

O território da Serra da Capivara, mundialmente conhecido por seu patrimônio arqueológico, enfrenta uma crise silenciosa de indicadores sociais. Com uma média de IPS de 56,57 pontos, a região ocupa a penúltima posição entre os 12 territórios do Piauí, à frente apenas da Chapada das Mangabeiras (55,66).  A distância para a média nacional (63,40) e para o líder brasileiro, Gavião Peixoto-SP (73,10), evidencia um atraso estrutural que não pode ser justificado apenas pela geografia semiárida ou pela distância dos grandes centros urbanos.

 

A análise comparativa entre os 18 municípios do território mostra que a liderança de João Costa (61,40) não é fruto do acaso, mas de uma trajetória de aceleração (+4,24 pontos). Enquanto isso, na base da pirâmide, municípios como Várzea Branca (53,09) e Fartura do Piauí (53,90) lutam contra a escassez extrema de recursos. O dado mais preocupante, contudo, é a regressão de Bonfim do Piauí, que perdeu 1,68 pontos, caindo 87 posições no ranking estadual em apenas dois anos.

 

Tabela 1: Ranking Completo da Serra da Capivara — IPS 2026

Posição

Município

IPS 2026

Classificação Piauí

Evolução 2024 - 2026

VA ICMS 2024 (R$)

1º

João Costa

61,40

29º

+4,24

43.642.783,81

2º

São Lourenço do Piauí

59,77

72º

+2,17

5.980.477,60

3º

São João do Piauí

59,50

81º

+0,59

197.510.314,90

4º

Anísio de Abreu

58,32

110º

+0,38

21.705.823,11

5º

São Raimundo Nonato

58,32

111º

+1,67

314.585.073,47

6º

São Braz do Piauí

57,96

124º

+2,22

3.990.645,49

7º

Guaribas

57,09

149º

+3,21

3.230.327,83

8º

Capitão Gervásio Oliveira

56,82

155º

+2,40

6.988.968,88

9º

Lagoa do Barro do Piauí

56,71

161º

-0,05

1.087.260.063,86

10º

Campo Alegre do Fidalgo

56,58

165º

+1,81

7.139.034,84

11º

Coronel José Dias

55,93

179º

+0,35

7.128.227,11

12º

Jurema

55,80

182º

+4,40

6.105.241,76

13º

Dirceu Arcoverde

54,51

200º

-0,64

9.397.348,24

14º

Caracol

54,47

201º

+1,72

20.541.047,62

15º

Bonfim do Piauí

54,16

206º

-1,68

9.774.257,77

16º

Dom Inocêncio

54,00

207º

+1,76

990.263.137,28

17º

Fartura do Piauí

53,90

209º

+3,51

4.865.825,35

18º

Várzea Branca

53,09

216º

+1,76

4.557.992,58

—

Média do Território

56,57

—

+1,66

—

 


 

3. UMA LUZ SOBRE OS LANTERNAS DO TERRITÓRIO SERRA DA CAPIVARA

Tabela 2: Trajetória 2024-2026

Município

IPS 2024

IPS 2026

Evolução

Class. PI 2026

Variação

Fartura do Piauí

50,39

53,90

+3,51

209º

+9 posições

Várzea Branca

51,33

53,09

+1,76

216º

+3 posições

Dom Inocêncio

52,24

54,00

+1,76

207º

+3 posições

Caracol

52,75

54,47

+1,72

201º

+3 posições

Bonfim do Piauí

55,84

54,16

-1,68

206º

-87 posições

 

3.1. VÁRZEA BRANCA: O RETRATO DA ESCASSEZ RESILIENTE

Várzea Branca ocupa a 216ª posição no Piauí, figurando entre as dez piores cidades do estado. Com o menor VA do território (R$ 4,55 milhões), o município opera no limite da sobrevivência fiscal. Entretanto, sua eficiência de conversão é notável: cada ponto de IPS custa apenas R$ 85,8 mil, a segunda melhor marca do grupo investigado. Isso indica que, apesar da falta de recursos, há um esforço de otimização do pouco que se tem.

 

O grande vilão local é o pilar de Necessidades Básicas (61,75). Apenas 20,15% dos domicílios possuem água encanada, e a mortalidade infantil atinge a marca inaceitável de 24,94 por mil nascidos vivos. No campo das Oportunidades (39,78), o cenário é de estagnação: o IDEB de 3,46 e a média do ENEM de 482 pontos condenam a juventude local a um ciclo de baixa qualificação, onde apenas 17,34% conseguem acessar o ensino superior.

 

3.2. FARTURA DO PIAUÍ: A EXCEÇÃO QUE INSPIRA

Fartura do Piauí é o ponto fora da curva nesta investigação. Mesmo detendo o segundo menor VA do grupo, o município entregou a maior aceleração do território: um salto de +3,51 pontos (saindo de 50,39 para 53,90). Essa evolução permitiu que a cidade subisse 9 posições no ranking estadual, superando municípios com orçamentos significativamente maiores. A eficiência de R$ 90,2 mil por ponto coloca Fartura como o modelo de gestão de recursos escassos.

 

Embora o pilar de Necessidades Básicas (59,25) ainda demande atenção urgente, o município lidera o grupo no pilar de Oportunidades (45,23). O índice de inclusão social de 85,63 é um reflexo de políticas públicas que, apesar da limitação financeira, conseguem atingir as camadas mais vulneráveis. O desafio agora é manter o ritmo de crescimento sem o suporte de grandes receitas próprias.

 

3.3. DOM INOCÊNCIO: DESAFIOS NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Dom Inocêncio exemplifica o desafio histórico do Piauí em converter potencial econômico em melhorias diretas na qualidade de vida da população. O município enfrenta a complexa tarefa de alinhar o crescimento de sua base de recursos com a expansão dos indicadores sociais.

 

Com um PIB per capita de R$ 22.761 (o segundo maior do território) e um VA de quase R$ 1 bilhão, o município amarga um IPS de 54,00. A análise sugere que a riqueza gerada pelos parques eólicos e grandes empreendimentos energéticos é meramente contábil para a população local: o dinheiro entra nos cofres da prefeitura, mas não chega às torneiras ou às salas de aula.

 

O pilar de Oportunidades (35,08) requer atenção especial para o alcance de resultados esperados.. O índice de Direitos Individuais é de apenas 20,70, e o acesso ao ensino superior (16,37%) é o menor do grupo. O custo para o avanço de um único ponto no IPS varia significativamente entre os municípios. Enquanto a gestão municipal registra um investimento de R$ 18,3 milhões por ponto, o município de Fartura atinge o mesmo resultado com R$ 90 mil. Essa disparidade evidencia que a eficiência na alocação de recursos públicos é tão determinante para os resultados quanto o volume do orçamento disponível.

 

3.4. BONFIM DO PIAUÍ: O ALERTA DO RETROCESSO

Bonfim do Piauí protagoniza a história mais triste desta edição: a da involução. O município registrou a 3ª maior queda do estado do Piauí (-1,68 pontos), despencando da 119ª para a 206ª posição. Com um VA de R$ 9,77 milhões — o dobro de Várzea Branca —, Bonfim conseguiu o feito negativo de retroceder em indicadores básicos enquanto seus vizinhos, mais pobres, avançavam.

 

A queda livre no pilar de Oportunidades (37,36) indica um colapso nas políticas de juventude e educação. Sem a utilização de métricas de impacto, a gestão municipal parece navegar às cegas, incapaz de identificar em qual setor o serviço público parou de funcionar. O retrocesso de Bonfim é um aviso para todos os gestores: o progresso social não é uma conquista permanente; ele exige manutenção e método constantes.

 

3.5. CARACOL: O LIMIAR DO DESENVOLVIMENTO

Caracol é o município mais bem posicionado entre os cinco investigados (201º no estado). Com um IPS de 54,47 e um avanço de +1,72 pontos, a cidade mostra uma consistência que falta aos seus vizinhos. Detentor do segundo maior VA do grupo (R$ 20,5 milhões), Caracol apresenta uma eficiência de R$ 376 mil por ponto, uma relação equilibrada, mas que ainda possui margem para otimização através do Método Gestão de Impacto (MGI).

 

O gargalo de Caracol reside no pilar de Oportunidades (41,67). Embora seja o maior município em população (10.546 habitantes), a cidade ainda não conseguiu converter sua escala demográfica em força econômica para sua juventude. A gestão atual tem o desafio de romper a barreira dos 55 pontos, o que exigirá uma escuta estratégica para identificar as reais barreiras de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho qualificado.


 

4. ANÁLISE COMPARATIVA: EVOLUÇÃO IPS 2024-2026

Evolução IPS (2024-2026) — Os 5 menores do território Serra da Capivara

Fonte: ipsbrasil.org.br

 

A trajetória dos últimos dois anos revela quem possui método e quem governa por inércia. Enquanto a média de evolução do grupo foi de apenas +1,41 pontos, o município de João Costa saltou +4,24. Essa disparidade cria um "fosso de qualidade de vida" dentro do próprio território. A Tabela 1 (acima) mostra visualmente o baixo desempenho de Bonfim do Piauí, a única barra que encolheu no período.

 

"O progresso social na Serra da Capivara está ocorrendo em duas velocidades: a velocidade do método, vista em João Costa e Fartura, e a velocidade da inércia, vista nos demais."

 


 

5. A DISTÂNCIA PARA O HORIZONTE

Tabela 2: A Distância para as Referências

Indicador

IPS 2026

Diferença para a base

Média dos 5 menores

53,92

—

Média do Território (Serra da Capivara)

56,57

+2,65

Média do Piauí

60,48

+6,56

Média do Brasil

63,40

+9,48

Gavião Peixoto-SP (1º do Brasil)

73,10

+19,18

Fonte: ipsbrasil.org.br

 


 

6. TABELA DE GESTÃO: QUEM COMANDA E OS NÚMEROS

Município

Prefeito(a) Eleito(a) 2024

Partido

Status

IPS 2026

Evolução 26-24

Várzea Branca

Nonatinho

PT

Reeleito

53,09

+1,76

Fartura do Piauí

Orlando Costa

PT

Reeleito

53,90

+3,51

Dom Inocêncio

Fernandinho

PSD

Novo Mandato

54,00

+1,76

Bonfim do Piauí

Paulo Henrique

MDB

Novo Mandato

54,16

-1,68

Caracol

Raniletti Macedo

PT

Novo Mandato

54,47

+1,72

 

6.1. Reeleitos — O Valor da Continuidade com Rumo

Várzea Branca — Nonatinho (PT) Reeleito com 68,71% dos votos, Nonatinho administra a menor economia do território (VA de R$ 4,55 milhões). O IPS avançou de 51,33 para 53,09 (+1,76), um progresso real em cenário de escassez. A eficiência de conversão de R$ 85,8 mil por ponto de IPS é a segunda melhor do grupo, indicando que a gestão extrai o máximo de recursos limitados.

 

O grande desafio está nos indicadores estruturais — apenas 20,15% dos domicílios têm água encanada e a mortalidade infantil é de 24,94 por mil. A reeleição reconheceu o esforço administrativo, mas o município não conseguirá superar esses gargalos sozinho. O caminho natural é buscar parcerias estaduais e federais, utilizando a continuidade administrativa como trunfo para atrair investimentos estruturantes em saneamento.

 

Fartura do Piauí — Orlando Costa (PT) Reeleito com expressivos 73,78%, Orlando Costa entregou a maior evolução do grupo: +3,51 pontos (de 50,39 para 53,90), saltando 9 posições no ranking estadual. Com apenas R$ 4,86 milhões de VA, Fartura tem a melhor eficiência de conversão (R$ 90,2 mil/ponto) — um exemplo de que gestão bem orientada pode superar limitações orçamentárias.

 

A reeleição com margem tão ampla sugere que a população percebeu e aprovou o avanço. O próximo passo, à luz do MGI, é fortalecer a Narrativa de Valor — consolidar na percepção pública os ganhos obtidos e manter o ritmo de aceleração para alcançar a média do Piauí (60,48) nos próximos anos.


 

6.2. Novo Mandato — Três Trajetórias que Pedem Atenção

Dom Inocêncio — Fernandinho (PSD) Eleito com 55,87%, Fernandinho era apoiado pela então prefeita Virginia, derrotando o candidato de oposição Nenê (MDB). Trata-se, portanto, de um novo mandato com continuidade do grupo político que já estava à frente da gestão.

 

O IPS avançou de 52,24 para 54,00 (+1,76), um movimento positivo, mas que precisa ser contextualizado: com R$ 990 milhões de VA e o segundo maior PIB per capita do território (R$ 22.761), o município tem potencial para resultados expressivamente melhores. A eficiência de conversão de R$ 18,3 milhões por ponto de IPS indica que há espaço significativo para aperfeiçoamento na alocação dos recursos.

 

O principal gargalo está no pilar Oportunidades (35,08), com acesso ao ensino superior de apenas 16,37%. A boa notícia é que a receita elevada dá a Fernandinho condições ímpares de investir em políticas de impacto — basta direcionar uma parcela dos recursos para programas de qualificação profissional, bolsas de estudo e infraestrutura educacional. O MGI sugere começar pelo pilar de Métricas de Impacto, auditando a destinação dos recursos para identificar onde podem ser melhor aplicados.

 

Bonfim do Piauí — Paulo Henrique (MDB) Eleito com 87,21% — a maior votação proporcional do grupo —, Paulo Henrique era vice-prefeito de Paulão (MDB) e candidato da chapa de sucessão, representando a continuidade do grupo político.

 

O IPS recuou de 55,84 para 54,16 (-1,68), configurando a 3ª maior queda entre os 224 municípios do Piauí. Foram 87 posições perdidas no ranking estadual. É um resultado que pede atenção, mas também carrega aprendizados importantes.

 

A votação expressiva demonstra que a população depositou confiança na renovação do nome. O desafio agora é técnico: identificar quais pilares do IPS sofreram maior deterioração e atuar com foco cirúrgico. O MGI recomenda a instalação urgente de Métricas de Impacto — só é possível corrigir aquilo que se mede. Com um VA de R$ 9,77 milhões (o dobro de Várzea Branca), há recursos disponíveis; a prioridade é redirecioná-los para as áreas que mais retrocederam.

 

Caracol — Raniletti Macedo (PT) Eleito com 63,95%, Raniletti foi o único entre os três novos mandatos a representar a oposição — apoiado pelo ex-prefeito Nilsão, derrotou a situação anterior. Há, portanto, uma ruptura política que abre espaço para novas abordagens de gestão.

 

O IPS subiu de 52,75 para 54,47 (+1,72), avanço modesto, mas consistente. Caracol tem o melhor IPS do grupo (54,47), a melhor posição (201º) e a maior população (10.546 habitantes). A eficiência de conversão de R$ 376 mil por ponto é a mais equilibrada entre os cinco.

 

O principal gargalo está em Oportunidades (41,67). Com a ruptura política e a energia de um novo mandato, Raniletti tem condições de implementar mudanças estruturantes. O MGI sugere começar pela Escuta Estratégica, ouvindo a juventude para mapear as barreiras reais de acesso à educação superior e ao mercado de trabalho. Caracol está no limiar de romper a barreira dos 55 pontos — um patamar que mudaria sua posição relativa no estado.


 

6.3. Padrões e Aprendizados

Olhando para o conjunto, emergem algumas observações:

Reeleição não é garantia, mas abre caminho. Os dois reeleitos (Várzea Branca e Fartura) avançaram, e Fartura se destaca como o melhor exemplo de continuidade com resultados. A reeleição oferece o ativo mais valioso para a gestão pública: tempo para executar políticas de médio prazo.

 

Continuidade política pede renovação de método. Em Dom Inocêncio, o grupo político permaneceu, mas a eficiência de conversão de recursos bilionários ainda é muito baixa. Em Bonfim, a sucessão dentro do mesmo grupo veio acompanhada de queda no IPS. A lição é que continuidade política precisa vir acompanhada de inovação na gestão — não basta manter o poder, é preciso aperfeiçoar a entrega.

 

Ruptura abre janela de oportunidade. Caracol, único caso de ruptura política, apresenta a trajetória mais promissora dentre os novos mandatos. A mudança de grupo traz a chance de implantar novas metodologias sem o peso de práticas anteriores.

 


6.4. Resumindo

Os dois reeleitos avançaram, com Fartura se destacando como referência de gestão eficiente. Dos três novos mandatos, dois representam continuidade do grupo político anterior — Dom Inocêncio (aliado da gestão anterior) e Bonfim (sucessão direta). O único com ruptura efetiva (Caracol) apresenta a trajetória mais promissora. Para todos eles, o Método Gestão de Impacto oferece um caminho estruturado: onde a eficiência é baixa, métricas e integração; onde há potencial, escuta e narrativa. Os IPS 2027 e 2028 dirão quem conseguiu transformar mandato em legado.


 

7. Caminhos para a Transformação: O Papel do Método Gestão de Impacto - MGI

Os números do IPS não são uma parede — são um mapa. E, como todo mapa, eles indicam onde estão os atalhos, os obstáculos e as rotas de fuga. Para os gestores desses cinco municípios, o desafio central é converter recursos escassos em resultados visíveis para a população. Essa urgência abre espaço para a Gestão de Impacto (MGI), abordagem que redesenha a administração pública ao alinhar toda a máquina em torno de metas claras e integradas.

 

7.1. INTEGRAÇÃO DE RESULTADO

O primeiro passo para reverter esse quadro é o fim das "secretarias-ilha". Em cidades pequenas, onde o quadro técnico é enxuto, a integração não é um luxo — é uma necessidade. O MGI propõe que o prefeito de Dom Inocêncio, por exemplo, pare de olhar para a Educação e para a Saúde como gastos isolados. A integração de resultado exige um Painel de Controle Único, onde a meta de reduzir a mortalidade infantil em Várzea Branca seja uma responsabilidade compartilhada entre as pastas de Saúde, Obras (saneamento) e Assistência Social. O resultado: uma ação só gera impacto em dois ou mais indicadores ao mesmo tempo.

 

7.2. ESCUTA ESTRATÉGICA

A gestão pública não pode ser feita de dentro do gabinete. A Escuta Estratégica do MGI utiliza inteligência de dados e canais diretos (como o WhatsApp segmentado) para ouvir o cidadão. Em Caracol, essa ferramenta identificaria exatamente por que os jovens não chegam à universidade. Em Dom Inocêncio, onde o isolamento geográfico é um fator limitante, essa escuta pode revelar que a prioridade não é uma obra faraônica, mas a manutenção de uma estrada vicinal que garante o acesso da comunidade à unidade de saúde. Não é apenas ouvir reclamações, é transformar a voz da população em dado técnico para a tomada de decisão do prefeito.

 

7.3. MÉTRICAS SIMPLES, DECISÕES PRECISAS

O prefeito que não mede não gerencia. O MGI propõe KPIs (indicadores-chave de desempenho) simples e compreensíveis: "quantas famílias passaram a ter água encanada?", "qual a taxa de abandono escolar no ensino fundamental?", "quantos pacientes foram atendidos na atenção primária no último mês?". Em Bonfim do Piauí, onde o IPS regrediu, a pergunta mais honesta que a gestão pode fazer é: "O que desabou?". Sem métricas, qualquer resposta será um palpite. O MGI instala métricas semanais para cada secretaria. Se o IPS de Necessidades Básicas cai, o sistema aciona um alerta vermelho antes que o dano seja irreversível. A gestão deixa de ser reativa e passa a ser preditiva.

 

7.4. NARRATIVA DE VALOR: MOSTRAR O QUE MUDOU

De nada adianta avançar se a população não percebe o valor da mudança. Fartura do Piauí avançou +3,51 pontos, mas precisa comunicar isso com provas sociais e dados claros para gerar engajamento. A Narrativa de Valor fura a bolha da propaganda política e foca na percepção de melhora real da vida. É o pilar que garante a sustentabilidade política de uma gestão técnica e eficiente. Para Caracol, que tem potencial turístico, mostrar a melhoria no saneamento básico é também atrair visitantes e gerar renda.

 


 

CONCLUSÃO: A ESCOLHA DOS GESTORES

O IPS 2026 não é apenas um ranking; é um espelho da alma administrativa de cada prefeito. Os dados aqui expostos mostram que o Piauí possui municípios ricos que tratam seu povo como pobre, e municípios pobres que tratam seu povo com a dignidade de quem tem método. A diferença entre o sucesso de João Costa e a falta de êxito de Dom Inocêncio não está no subsolo, mas no gabinete.

 

Os prefeitos eleitos e reeleitos em 2024 agora possuem o diagnóstico necessário, restando a decisão entre gerir orçamentos ou adotar uma tecnologia política moderna para transformar vidas. A trajetória de líderes como Nonatinho, Orlando Costa, Fernandinho, Paulo Henrique e Raniletti Macedo dependerá da capacidade de converter dados em impacto social real: “Vocês querem ser lembrados como os gestores que administraram orçamentos ou como os líderes que transformaram vidas?”

 

O dinheiro existe. O que falta é a coragem de abandonar o amadorismo e adotar a gestão de impacto. O tempo da inércia acabou; os indicadores de 2027 já estão sendo escritos pelas decisões tomadas hoje.

 

Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 26 de julho de 2026

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