VALE DO SAMBITO

O abismo do Sambito: por que a cidade mais rica do território tem uma das piores qualidades de vida do Piauí — e sua vizinha, com metade da renda, está entre as melhores do estado

Uma investigação do FAROL MUNICIPAL com base no IPS Brasil 2026, que cruzou dados de 57 indicadores sociais e ambientais nos 5.570 municípios do país, revela que, no Vale do Sambito, dinheiro não compra progresso social — e gestão pública faz toda a diferença.

26 de julho de 2026 às 15:18 34 visualizações

Pimenteiras do Piauí

Imagem aérea Pimenteiras-PI (www.tribunapiaui.com.br)


 

Resumo

A investigação demonstra que o Vale do Sambito sofre de uma crise de oportunidades. A arrecadação de ICMS e o Valor Adicionado não estão sendo suficientes para garantir que o cidadão tenha acesso a direitos e educação superior. A convergência para as médias estaduais exigirá mais do que continuidade; exigirá uma ruptura com modelos de gestão puramente assistencialistas, e a adoção de gestões de impacto.


 

Enquanto o Piauí avança em indicadores macroeconômicos, uma mancha de estagnação social persiste no território do Vale do Sambito. Uma análise exclusiva dos dados do IPS 2026 revela que cinco municípios da região não apenas ocupam a lanterna do ranking, mas enfrentam um abismo entre a riqueza que geram (ou arrecadam) e a qualidade de vida entregue ao cidadão.

 

Esta análise não busca estigmatizar essas localidades, mas sim oferecer uma leitura técnica e humana sobre onde as políticas públicas podem atuar com maior precisão para transformar a realidade dessas populações.

 

Ao analisarmos os cinco municípios que apresentam os desempenhos mais baixos na região, com a lupa do MGI – Método Gestão de Impacto, percebemos que, embora existam avanços em áreas básicas, há um gargalo significativo em componentes que definem as oportunidades e os fundamentos do bem-estar a longo prazo. O pilar de Oportunidades — que mede o acesso ao ensino superior, direitos individuais e inclusão — é o "calcanhar de Aquiles" da região, com notas que mal ultrapassam os 40 pontos, em uma escala de 0 a 100.


 

1. A Descoberta Central

Valença do Piauí é a maior economia do Vale do Sambito. Seus 23.025 habitantes a tornam a mais populosa do território. Seu Produto Interno Bruto per capita de R$ 17.319,61 é o mais alto entre os 15 municípios da região. Seu Índice de Desenvolvimento Humano-IDH de 0,647 é o 9º melhor do estado inteiro, segundo o PNUD.

 

E, no entanto, Valença do Piauí tem o quinto pior Índice de Progresso Social do próprio território onde é polo. Os dados do IPS Brasil 2026 — índice que mede qualidade de vida real com 57 indicadores, ignorando PIB — colocam Valença na posição 3.311 entre 5.570 municípios brasileiros, com apenas 59,42 pontos. Abaixo da média do Piauí (60,48). Abaixo de cidades minúsculas como Prata do Piauí (62,28), Santa Cruz dos Milagres (61,33) e Aroazes (60,30), que têm menos de 3 mil habitantes e renda muito inferior.

 

Essa contradição é o retrato de um problema estrutural que a reportagem identificou ao cruzar os dados do IPS com informações de PIB, IDH e gestão municipal: no Vale do Sambito, o crescimento econômico não se traduziu em qualidade de vida para a população mais vulnerável.

 

O Índice de Progresso Social (IPS) destaca-se como um termômetro focado na qualidade de vida real, diferenciando-se do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) por avaliar os resultados socioambientais sem sofrer distorções causadas pelo poder econômico.

 

Enquanto o IDH parte do princípio de que o dinheiro (renda per capita) é um meio indispensável para o desenvolvimento, o IPS inverte essa lógica e defende que o verdadeiro progresso só existe se os direitos e as necessidades básicas da população estiverem sendo atendidos na prática.


 

2. O Ranking da Desigualdade

Abaixo, os cinco municípios que apresentam os desempenhos mais críticos no território, evidenciando o desafio para as gestões que assumem o mandato 2025-2028.

Tabela: Os cinco municípios do Vale do Sambito com a menor qualidade de vida no IPS Brasil 2026

Posição

Município

IPS 2026

Ranking Brasil

Prefeito (2025-2028)

Partido

1º pior

Pimenteiras

55,57

4.815º

Lucia Lacerda

PSD

2º pior

Novo Oriente do Piauí

58,31

3.837º

Afonso Sobreira

PP

3º pior

Inhuma

58,41

3.797º

Elbert Holanda Moura

PSD

4º pior

Francinópolis

59,06

3.498º

Dr. Antônio Luiz

MDB

5º pior

Valença do Piauí

59,42

3.311º

Marcelo Costa

PP

Fonte: IPS Brasil 2026 (Imazon) / Lista de prefeitos eleitos 2024 (TSE)


 

3. O Paradoxo Valença: o dinheiro que não virou qualidade de vida

Valença do Piauí é o caso mais emblemático do território. A cidade é sede de polo regional, abriga serviços de saúde e educação que atendem cidades vizinhas, e recebeu investimentos públicos e privados ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, seu IPS de 59,42 é 1,06 ponto abaixo da média do Piauí.

 

A comparação com Francinópolis é ainda mais reveladora. Francinópolis tem PIB per capita 30% menor que o de Valença e população cinco vezes menor. No entanto, a diferença de progresso social entre ambas é de apenas 0,36 ponto. Ou seja: 36% a mais de renda per capita se traduziram em míseros 0,36 ponto de progresso social.

 

Isso não é um acidente estatístico. É a prova de que Valença — governada pelo prefeito reeleito Marcelo Costa e Silva (PP) — está produzindo riqueza sem distribuí-la em forma de serviços públicos essenciais. O IPS mede exatamente o que o PIB ignora: se as pessoas têm água tratada, se as crianças aprendem na escola, se há saneamento básico, se os cidadãos têm acesso a direitos e liberdades individuais. E é precisamente nessas dimensões que Valença tropeça.

 

Tabela: Paradoxo Valença — PIB vs IPS

Indicador

Valença do Piauí

Francinópolis

Diferença

População

23.025 habitantes

4.505 habitantes

5x maior

PIB per capita

R$ 17.319,61

R$ 12.694,99

+36,4%

IDH

0,647 (médio)

0,549 (baixo)

+0,098

IPS 2026

59,42

59,06

+0,36

Isso prova que Valença — governada por Marcelo Costa e Silva (PP) — está produzindo riqueza sem distribuí-la eficientemente em forma de serviços públicos essenciais. O IPS mede exatamente o que o PIB ignora: se as pessoas têm água tratada, se as crianças aprendem na escola e se há saneamento básico.


 

4. ANÁLISE FORENSE — AS 12 SUBDIMENSÕES DO IPS DOS 5 MUNICÍPIOS MAIS FRÁGEIS DO VALE DO SAMBITO

O laudo técnico que dissecou onde cada prefeitura falha — e por que Pimenteiras é o epicentro do atraso no território

A extração completa das 12 subdimensões do IPS Brasil 2026 para cada um dos cinco municípios revela um padrão forense que permite identificar os gargalos específicos de cada administração municipal: cada cidade tem um perfil de falha diferente, e isso permite, pela primeira vez, responsabilizar políticas públicas específicas — não apenas generalizar "falta de investimento".

 

Tabela: O RAIO-X COMPLETO — Subdimensões do IPS

Subdimensão

Pimenteiras

Novo Oriente

Inhuma

Francinópolis

Valença

IPS GERAL

55,57

58,31

58,41

59,06

59,42

Necessidades Humanas Básicas

67,13

75,03

72,37

71,04

70,02

Fundamentos Bem-Estar

55,71

56,82

58,69

59,39

64,37

Oportunidades

43,86

43,09

44,17

46,76

43,88

Nutrição e Saúde Básica

75,27

62,16

70,13

69,62

66,18

Água e Saneamento

43,09

68,85

65,49

58,54

67,29

Moradia

80,16

87,73

87,05

74,60

79,63

Segurança Pessoal

70,01

81,37

66,81

81,39

66,97

Conhecimento Básico

70,07

71,69

75,69

72,86

73,72

Informação e Comunicação

45,59

58,51

53,78

58,38

74,92

Saúde e Bem-Estar

67,34

47,03

52,41

48,80

52,91

Qualidade Ambiental

39,83

50,05

52,86

57,50

55,91

Direitos Individuais

32,36

26,28

34,06

22,85

26,28

Liberdades Individuais

53,14

50,62

50,43

51,17

49,90

Inclusão Social

70,87

67,04

68,76

89,33

72,42

Educação Superior

19,08

28,42

23,44

23,67

26,92

Fonte: ipsbrasil.org.br


🔴 4.1. PIMENTEIRAS-PI — IPS 55,57 | 4.815º no Brasil

Prefeita Reeleita: Lucia Lacerda (PSD) — mandato 2021-2024/2025-2028

Subdimensão

Nota

Diagnóstico

🟢 Nutrição e Cuidados Médicos Básicos

75,27

O ponto mais forte — a cidade consegue alimentar e atender a população em atenção primária

🟢 Moradia

80,16

Condições habitacionais razoáveis

🟢 Segurança Pessoal

70,01

Violência não é o problema principal

🟡 Acesso ao Conhecimento Básico

70,07

Educação fundamental mediana

🟡 Inclusão Social

70,87

Aceitável

🔴 Água e Saneamento

43,09

🚨 PIOR DO TERRITÓRIO — Um dos piores indicadores de todo o Piauí

🔴 Acesso à Informação e Comunicação

45,59

🚨 A população tem acesso precário à internet, informação e meios de comunicação

🔴 Qualidade do Meio Ambiente

39,83

🚨 Gestão ambiental ineficiente — resíduos sólidos, desmatamento, poluição

🔴 Direitos Individuais

32,36

🚨 Cidadania frágil — registro civil, participação política, acesso à justiça

🔴 Acesso à Educação Superior

19,08

🚨 PIOR DO TERRITÓRIO — Virtualmente poucos jovens chegam à universidade

🟡 Liberdades Individuais e de Escolha

53,14

Abaixo da média

🟡 Saúde e Bem-Estar

67,34

Razoável

 

A descoberta: Pimenteiras tem o pior índice de Água e Saneamento do território (43,09) e o pior Acesso à Educação Superior (19,08). Isso significa que, na prática, a população não tem água tratada nem coleta de esgoto, e poucos jovens conseguem ingressar no ensino superior. Somados, esses dois indicadores isoladamente explicam mais da metade do atraso do município.


🟠 4.2. NOVO ORIENTE DO PIAUÍ — IPS 58,31 | 3.837º no Brasil

Prefeito Reeleito: Afonso Sobreira (PP) — mandatos 2021-2024/2025-2028

Subdimensão

Nota

Diagnóstico

🟢 Necessidades Humanas Básicas

75,03

A melhor do território na dimensão básica

🟢 Moradia

87,73

🏆 MELHOR DO TERRITÓRIO

🟢 Segurança Pessoal

81,37

Excelente

🟢 Água e Saneamento

68,85

Bom — bem melhor que Pimenteiras

🟡 Acesso ao Conhecimento Básico

71,69

Mediano

🟡 Acesso à Informação e Comunicação

58,51

Regular

🟡 Liberdades Individuais e de Escolha

50,62

Mediano

🟡 Qualidade do Meio Ambiente

50,05

Na média

🟡 Inclusão Social

67,04

Aceitável

🔴 Saúde e Bem-Estar

47,03

🚨 Serviços de saúde insuficientes — acesso a médicos, hospitais, prevenção

🔴 Direitos Individuais

26,28

🚨 Crítico — cidadania básica não é garantida

🔴 Acesso à Educação Superior

28,42

🚨 Pouquíssimos jovens acessam a universidade

🟡 Nutrição e Cuidados Médicos Básicos

62,16

Abaixo do ideal

 

A descoberta: Novo Oriente é uma cidade de contrastes extremos. Tem a melhor Moradia do território (87,73) e excelente Segurança Pessoal (81,37), mas desaba em Saúde e Bem-Estar (47,03) e Direitos Individuais (26,28). A população tem casa digna e não sofre violência, mas adoece com pouca assistência e não tem direitos civis garantidos. O colapso na saúde pública local é o principal motor do atraso.


🟡 4.3. INHUMA — IPS 58,41 | 3.797º no Brasil

Prefeito Reeleito: Elbert Holanda Moura (PSD) — mandatos 2021-2024/2025-2028

Subdimensão

Nota

Diagnóstico

🟢 Moradia

87,05

Excelente — segundo melhor do território

🟢 Acesso ao Conhecimento Básico

75,69

🏆 MELHOR DO TERRITÓRIO — Educação fundamental funciona bem

🟢 Necessidades Humanas Básicas

72,37

Boa

🟢 Água e Saneamento

65,49

Regular para bom

🟡 Nutrição e Cuidados Médicos Básicos

70,13

Bom

🟡 Segurança Pessoal

66,81

Aceitável

🟡 Inclusão Social

68,76

Aceitável

🟡 Saúde e Bem-Estar

52,41

Na média do grupo

🟡 Qualidade do Meio Ambiente

52,86

Na média

🟡 Liberdades Individuais e de Escolha

50,43

Mediano

🔴 Direitos Individuais

34,06

🚨 Ruim

🔴 Acesso à Educação Superior

23,44

🚨 Muito ruim

🔴 Acesso à Informação e Comunicação

53,78

Abaixo da média

 

A descoberta: Inhuma é o município que melhor educa suas crianças no ensino fundamental (75,69 — melhor do território), mas falha em levar esses jovens à universidade (23,44). Há um gargalo entre a escola primária de qualidade e o ensino superior. Os alunos aprendem o básico, mas não têm condições de prosseguir — falta renda, falta apoio, falta política pública de acesso ao ensino superior. O conhecimento se perde no meio do caminho.


🟢 4.4. FRANCINÓPOLIS — IPS 59,06 | 3.498º no Brasil

Prefeito eleito: Dr. Antônio Luiz (MDB) — mandato 2025-2028

Subdimensão

Nota

Diagnóstico

🟢 Inclusão Social

89,33

🏆 MELHOR DO TERRITÓRIO — A cidade mais inclusiva do Vale do Sambito

🟢 Segurança Pessoal

81,39

Excelente

🟢 Necessidades Humanas Básicas

71,04

Boa

🟢 Moradia

74,60

Boa

🟡 Acesso ao Conhecimento Básico

72,86

Bom

🟡 Nutrição e Cuidados Médicos Básicos

69,62

Bom

🟡 Qualidade do Meio Ambiente

57,50

Mediano

🟡 Acesso à Informação e Comunicação

58,38

Regular

🟡 Liberdades Individuais e de Escolha

51,17

Mediano

🟡 Fundamentos do Bem-Estar

59,39

Mediano

🔴 Saúde e Bem-Estar

48,80

🚨 Serviços de saúde insuficientes

🔴 Água e Saneamento

58,54

🚨 Abaixo da média — acesso precário a água tratada

🔴 Direitos Individuais

22,85

🚨 PIOR DO TERRITÓRIO — Cidadania quase inexistente

🔴 Acesso à Educação Superior

23,67

🚨 Muito ruim

 

A descoberta: Francinópolis tem a melhor Inclusão Social do território (89,33) — um indicador que mede se minorias, mulheres e populações vulneráveis têm acesso a oportunidades. Ao mesmo tempo, tem o pior índice de Direitos Individuais (22,85), que mede acesso a registro civil, justiça, propriedade e participação política. A cidade inclui socialmente, mas nega direitos básicos. É como se a população fosse acolhida, mas não tivesse cidadania plena. A Saúde e Bem-Estar (48,80) completa o quadro de abandono parcial.


🟢 4.5. VALENÇA DO PIAUÍ — IPS 59,42 | 3.311º no Brasil

Prefeito Reeleito: Marcelo Costa e Silva (PP) — mandatos 2021-2024/2025-2028

Subdimensão

Nota

Diagnóstico

🟢 Acesso à Informação e Comunicação

74,92

🏆 MELHOR DO TERRITÓRIO — A cidade mais conectada

🟢 Acesso ao Conhecimento Básico

73,72

Bom — educação fundamental funciona

🟢 Necessidades Humanas Básicas

70,02

Boa

🟢 Inclusão Social

72,42

Boa

🟢 Moradia

79,63

Boa

🟢 Água e Saneamento

67,29

Regular para bom

🟢 Segurança Pessoal

66,97

Aceitável

🟢 Fundamentos do Bem-Estar

64,37

🏆 MELHOR DO TERRITÓRIO

🟡 Nutrição e Cuidados Médicos Básicos

66,18

Regular

🟡 Qualidade do Meio Ambiente

55,91

Mediano

🟡 Liberdades Individuais e de Escolha

49,90

Mediano

🟡 Saúde e Bem-Estar

52,91

Na média

🔴 Direitos Individuais

26,28

🚨 Crítico — mesmo sendo polo regional

🔴 Oportunidades (dimensão)

43,88

🚨 Abaixo da média — a riqueza não vira oportunidade

🔴 Acesso à Educação Superior

26,92

🚨 Muito baixo para uma cidade-polo

 

A descoberta central: Valença do Piauí é a cidade mais rica, mais conectada (74,92 — melhor acesso à informação do território), com os melhores Fundamentos do Bem-Estar (64,37) e a melhor educação básica. Mas tudo isso para por aí. O Acesso à Educação Superior é 26,92 — muito baixo para uma cidade que deveria ser polo regional de ensino. Os Direitos Individuais são 26,28 — no mesmo nível de Novo Oriente, que tem um quarto da sua população. E a dimensão Oportunidades (43,88) é insuficiente.

 

Valença produz riqueza e informação, mas não distribui oportunidades. Os jovens saem da escola básica bem formados (73,72) — e param por ali. Não há ensino superior acessível. Não há políticas de direitos individuais. O dinheiro circula, mas não abre portas.


 

 4.6. TABULAÇÃO CRUZADA: O RAIO-X DAS FALHAS

Subdimensão

Pimenteiras

Novo Oriente

Inhuma

Francinópolis

Valença

Pior do território

Água e Saneamento

43,09 🛑

68,85

65,49

58,54

67,29

Pimenteiras

Acesso à Inf. e Comunicação

45,59 🛑

58,51

53,78

58,38

74,92 ✅

Pimenteiras

Saúde e Bem-Estar

67,34

47,03 🛑

52,41

48,80 🛑

52,91

Novo Oriente

Qualidade do Meio Ambiente

39,83 🛑

50,05

52,86

57,50

55,91

Pimenteiras

Direitos Individuais

32,36

26,28 🛑

34,06

22,85 🛑

26,28 🛑

Francinópolis

Acesso à Educação Superior

19,08 🛑

28,42

23,44 🛑

23,67 🛑

26,92 🛑

Pimenteiras

Inclusão Social

70,87

67,04

68,76

89,33 ✅

72,42

Francinópolis ✅

Moradia

80,16

87,73 ✅

87,05 ✅

74,60

79,63

Novo Oriente ✅

🛑 = Crítico (abaixo de 50) | ✅ = Destaque positivo no território


 

4.7. O QUE OS NÚMEROS REVELAM — AS 5 TESES INVESTIGATIVAS

Tese 1: Saneamento é o divisor de águas no Vale do Sambito

Pimenteiras (43,09) tem menos da metade do índice de Água e Saneamento de Novo Oriente (68,85). A diferença de 25,76 pontos é a maior disparidade em qualquer subdimensão entre os cinco municípios. Isso significa que enquanto em Novo Oriente a população tem acesso a água tratada e esgoto, em Pimenteiras a realidade é de poços contaminados e fossas a céu aberto. A prefeita Lúcia Lacerda (PSD), há quase seis anos à frente da gestão municipal, lida com um problema que não se resolve com promessas — exige investimento em infraestrutura que a cidade não tem demonstrado capacidade de atrair.

 

Tese 2: Saúde é o ponto cego de Novo Oriente e Francinópolis

Novo Oriente (47,03) e Francinópolis (48,80) têm índices de Saúde e Bem-Estar abaixo de 50. Os dois municípios, somados, têm cerca de 11 mil habitantes — uma população que caberia em dois bairros de Teresina e que, no entanto, não tem acesso adequado a serviços de saúde. A pergunta que a reportagem deixa para os gestores: como estão os investimentos em postos de saúde, médicos e programas de prevenção?

 

Tese 3: O ensino superior é uma barreira intransponível em todo o território

Os cinco municípios têm notas abaixo de 30 em Acesso à Educação Superior. Pimenteiras tem 19,08 — o pior índice de todas as 12 subdimensões em todos os 5 municípios. Isso não é uma falha local: é uma condenação estrutural. Jovens do Vale do Sambito não chegam à universidade porque não há oferta, não há renda para mantê-los em outras cidades, e não há políticas de cotas ou bolsas que efetivamente os alcancem.

 

Tese 4: Valença do Piauí — a cidade mais rica, mas que não transforma riqueza em direitos

O caso de Valença é o mais grave por ser o mais evitável. A cidade tem os melhores indicadores de infraestrutura e educação básica do território, mas empatou com Novo Oriente — uma cidade quatro vezes menor e muito mais pobre — no índice de Direitos Individuais (26,28 para ambos). Isso não é falta de recursos. É falta de prioridade política.

 

Tese 5: Partido não explica — gestão sim

Os prefeitos dos cinco municípios são de quatro partidos (PSD, PP, MDB, PSD novamente). Mas o padrão de falhas é diferente em cada cidade. Francinópolis (MDB) é campeã em Inclusão Social, mas péssima em Direitos Individuais. Novo Oriente (PP) é excelente em Moradia, mas péssima em Saúde. Cada gestão escolheu onde investir — e onde negligenciar. O IPS não mente: ele mostra exatamente as escolhas que foram feitas.

 


Resumindo

  • Pimenteiras (IPS 55,57) é o epicentro do atraso: pior em Água e Saneamento (43,09), Acesso à Informação (45,59), Qualidade Ambiental (39,83) e Ensino Superior (19,08). A prefeita Lúcia Lacerda (PSD) administra uma cidade com colapso sanitário.
  • Novo Oriente (IPS 58,31) tem a melhor Moradia do território (87,73), mas Saúde (47,03) e Direitos Individuais (26,28) no chão.
  • Inhuma (IPS 58,41) educa bem no fundamental (75,69), mas leva poucos à universidade (23,44).
  • Francinópolis (IPS 59,06) é a mais inclusiva do território (89,33), mas tem o pior índice de Direitos Individuais (22,85) — a cidade acolhe, mas nega cidadania.
  • Valença do Piauí (IPS 59,42) é o grande paradoxo: melhor infraestrutura e conexão, mas riqueza que não virou oportunidade. Direitos Individuais de apenas 26,28 — o mesmo de Novo Oriente, que tem um quarto de sua população.
  • A chave da investigação: O IPS mostra que as falhas não são aleatórias — cada município tem um perfil de negligência diferente, o que aponta para escolhas de gestão, não para falta de recursos genérica.

 


 

5. Diagnóstico Individual

 

O FAROL MUNICIPAL recorreu à base do Valor Adicionado ICMS 2024 para todos os 224 municípios do estado. Diferentemente do PIB per capita — que é uma estimativa macroeconômica sujeita a revisões — o Valor Adicionado Fiscal é o dado concreto da circulação de mercadorias e serviços que efetivamente passou pelo município, apurado pela Secretaria da Fazenda e homologado pelo TCE-PI. É a renda real que o fisco enxerga.

 

O Vale do Sambito, como território, gerou R$ 314.091.561,61 em Valor Adicionado em 2024 — e atingiu média de 60,33 no IPS 2026. Sete de seus 15 municípios estão abaixo dessa média. E o que os dados provam é que, nos cinco de menor índice, o problema não é a ausência de riqueza — é a incapacidade de transformá-la em progresso social.

 

Tabela: VA 2024 × IPS 2026 — a relação que denuncia

Município

VA ICMS 2024 (R$)

Participação no VA do Território

População

VA per capita (R$/hab)

IPS 2026

Ranking IPS no Território

Evolução 2024→2026

Valença do Piauí

132.016.952,98

42,0%

~23.025

~5.734

59,42

11º

+1,43

Inhuma

33.909.937,56

10,8%

~14.803

~2.291

58,41

13º

+0,04

Pimenteiras

15.462.190,55

4,9%

~11.172

~1.384

55,57

15º

+2,05

Novo Oriente do PI

11.508.478,37

3,7%

~6.081

~1.892

58,31

14º

+2,50

Francinópolis

7.290.009,03

2,3%

~4.506

~1.618

59,06

12º

+3,36

Fontes: ipsbrasil.org.br / TCE-PI

 

O dado é implacável: Valença do Piauí concentra 42% de todo o Valor Adicionado do território, com VA per capita de R$ 5.734 — mais que o triplo de qualquer outro município do grupo (exceto Inhuma, que chega a 2,5 vezes). E, ainda assim, ocupa apenas o 11º lugar no ranking de IPS entre os 15. Francinópolis, com 2,3% do VA total e VA per capita de R$ 1.618, está diretamente atrás, no 12º lugar.

 

Valença gera 18 vezes mais riqueza que Francinópolis. A diferença no IPS é de 0,36 ponto.

 

A segunda revelação está na evolução: Francinópolis teve o segundo maior crescimento de IPS do território inteiro (+3,36 pontos entre 2024 e 2026), perdendo apenas para Lagoa do Sítio (4,15). Valença cresceu apenas +1,43 — menos da metade. Inhuma, o segundo maior gerador de VA do grupo (R$ 33,9 milhões), praticamente estagnou: +0,04 ponto.


 

5.1 Pimenteiras-PI

Pior desempenho do território e um dos 50 piores do Piauí, Pimenteiras ao menos avançou: saiu de IPS 53,52 em 2024 para 55,57 em 2026 — um ganho de 2,05 pontos que a coloca como a 6ª cidade que mais evoluiu no Vale do Sambito. O problema é que partiu de tão baixo que mesmo crescendo, continua no fundo do poço.

 

Com VA ICMS de R$ 15,46 milhões — o terceiro maior volume de riqueza formal entre os cinco — a cidade deveria ter mais recursos per capita que Francinópolis. Mas os indicadores de Água e Saneamento (43,09), Acesso à Educação Superior (19,08) e Qualidade do Meio Ambiente (39,83) escancaram uma gestão que não converteu a circulação de riqueza em infraestrutura.

 

A prefeita Lucia Lacerda (PSD), reeleita em 2024, comanda um município de 11.172 habitantes — mas com eleitorado estimado de quase 10 mil. A distância para a média do território (60,33) é de 4,76 pontos.


5.2. NOVO ORIENTE-PI

Novo Oriente apresenta um paradoxo interessante: com VA per capita de R$ 1.892 — e uma evolução de +2,50 pontos (5ª melhor do território), a cidade está claramente crescendo. Saiu de IPS 55,81 em 2024 para 58,31 em 2026.

 

Mas o índice de Saúde e Bem-Estar (47,03) é um dos piores do estado — e caiu em relação a 2024. A população tem a melhor Moradia do território (87,73) e excelente Segurança Pessoal (81,37), mas adoece sem assistência. O prefeito Afonso Sobreira (PP), no poder desde 2021, gerencia uma cidade onde os milhões em VA poderiam ser direcionados para atenção primária à saúde e contratação de profissionais.


 

5.3. INHUMA-PI

Inhuma é o caso mais grave do grupo — e não pelo que tem, mas pelo que parou de fazer.

Com VA ICMS de R$ 33,9 milhões — o segundo maior do grupo, 4,7 vezes maior que o de Francinópolis — e VA per capita de R$ 2.291 (o mais alto entre os quatro menores), Inhuma é, de longe, a cidade que mais gera riqueza e menos entrega progresso entre os cinco. Seu IPS de 58,41 é inferior ao de Francinópolis (59,06), que gera 4,7 vezes menos riqueza.

 

Mas o dado mais contundente é a evolução: Inhuma cresceu apenas 0,04 ponto entre 2024 e 2026. Era 58,37 em 2024. É 58,41 agora. Praticamente não saiu do lugar. É a 13ª pior evolução entre os 15 municípios do Vale do Sambito — a terceira pior, à frente apenas de Santa Cruz dos Milagres e São Miguel da Baixa Grande, que tiveram evolução negativa de -0,03 e -1,33, respectivamente.

 

Sob a gestão do prefeito Elbert Holanda Moura (PSD), reeleito em 2024, Inhuma — com 15.268 habitantes, o segundo maior contingente populacional entre os cinco — é a prova de que mais dinheiro não significa mais progresso. Os R$ 33,9 milhões em VA 2024 são 4,7 vezes os R$ 7,29 milhões de Francinópolis — mas Francinópolis cresceu 3,36 pontos e Inhuma cresceu 0,04. A diferença de crescimento é de 84 vezes.

 

A cidade tem o melhor Acesso ao Conhecimento Básico do território (75,69) — as crianças aprendem. Mas o conhecimento se perde no gargalo do Ensino Superior (23,44) e na estagnação geral da gestão.


5.4. FRANCINÓPOLIS-PI

Francinópolis é a campeã de eficiência do Vale do Sambito — e a prova de que o problema não é a falta de recursos, é a gestão deles.

 

Com apenas R$ 7,29 milhões em VA 2024 — o menor do grupo, 18 vezes menor que Valença e com VA per capita de R$ 1.618 — o município de 4.481 habitantes, conseguiu o segundo maior crescimento de IPS de todo o território: +3,36 pontos entre 2024 e 2026. Saltou de IPS 55,70 para 59,06. Superou Inhuma, que tem 4,7 vezes mais VA.

 

A gestão do prefeito Antônio Luiz Dantas da Fonseca (MDB) extraiu mais progresso social de cada real de riqueza circulante do que qualquer outro entre os cinco piores. O destaque é Inclusão Social (89,33), a melhor do território — a cidade é a mais acolhedora para minorias, mulheres e populações vulneráveis.

 

Mas o índice de Direitos Individuais (22,85) — o pior do Vale do Sambito — revela o outro lado da moeda. Francinópolis inclui socialmente, mas nega cidadania básica. É a prova de que eficiência na gestão da pobreza não elimina a pobreza.

 

A pergunta que fica: se Francinópolis, com 18 vezes menos riqueza, conseguiu crescer 3,36 pontos, o que impede Valença de fazer o mesmo?


5.5. VALENÇA DO PIAUÍ-PI

Valença do Piauí não é apenas o caso mais grave do Vale do Sambito. É, potencialmente, um dos casos mais emblemáticos de ineficiência na conversão de riqueza em qualidade de vida em todo o Piauí.

 

Os números são brutais:

  • 42% de todo o Valor Adicionado do território passa por Valença — R$ 132 milhões.
  • O VA per capita de R$ 5.734 é 3,1 vezes maior que o de Inhuma (R$ 2.291) e 9,2 vezes maior que o de Pimenteiras (R$ 1.384).
  • A cidade tem o 9º melhor IDH do Piauí (0,647).
  • É sede de polo regional, maior economia do território, maior população (23.025 hab).

 

E, no entanto, seu IPS de 59,42 é apenas 0,36 ponto superior ao de Francinópolis — que tem R$ 7,29 milhões de VA, 18 vezes menos.

 

Tabela: O abismo Valença × Francinópolis

Indicador

Valença do Piauí

Francinópolis

Diferença

VA ICMS 2024

R$ 132.016.952,98

R$ 7.290.009,03

18,1x

VA per capita

~R$ 5.734

~R$ 1.618

3,5x

IDH

0,647 (9º do PI)

0,549 (baixo)

Superior

IPS 2026

59,42

59,06

+0,36

Evolução 2024→2026

+1,43

+3,36

2,3x menor

Fonte: ipsbrasil.org.br

 

A evolução de Valença (+1,43) é 2,3 vezes menor que a de Francinópolis (+3,36). Isso significa que Valença não apenas desperdiça sua riqueza — ela está perdendo capacidade de gerar progresso social ao longo do tempo. Francinópolis está acelerando. Valença está andando de lado.

 

Os indicadores de Acesso à Informação e Comunicação (74,92) e Fundamentos do Bem-Estar (64,37) são os melhores do território. Mas Direitos Individuais (26,28), Acesso à Educação Superior (26,92) e Oportunidades (43,88) são medíocres — e empatam ou perdem para cidades com VA per capita três vezes menor.

 

O prefeito Marcelo Costa e Silva (PP) comanda uma cidade que produz riqueza, conecta pessoas e educa crianças — mas falha na distribuição de oportunidades, na garantia de direitos e em levar jovens à universidade. Não falta dinheiro: faltam escolhas.


 

 Tabela: A tabela que resume a investigação

Município

VA 2024 (R$)

IPS 2026

Evolução

VA per capita

Eficiência VA→IPS

Diagnóstico

Valença do Piauí

132.016.952,98

59,42

+1,43

~R$ 5.734

🔴 PÉSSIMA

18x mais riqueza que Francinópolis, 0,36 pt de diferença

Inhuma

33.909.937,56

58,41

+0,04

~R$ 2.291

🔴 PÉSSIMA

4,7x mais VA que Francinópolis, IPS 0,65 pt MENOR

Pimenteiras

15.462.190,55

55,57

+2,05

~R$ 1.384

🟡 BAIXA

Cresce, mas parte de um patamar tão baixo que não alcança

Novo Oriente do PI

11.508.478,37

58,31

+2,50

~R$ 1.892

🟡 MÉDIA-BAIXA

Evolui bem, mas saúde pública requer mais atenção

Francinópolis

7.290.009,03

59,06

+3,36

~R$ 1.618

🟢 MELHOR DO GRUPO

18x menos VA que Valença, praticamente o mesmo IPS


Resumindo

  • Francinópolis — com R$ 7,29 milhões de VA e evolução de +3,36 — é a prova viva de que o problema não é a falta de dinheiro, é a gestão. É o município que MAIS cresceu entre os cinco e o que ENTREGOU mais IPS por real de riqueza.
  • Valença do Piauí — com R$ 132 milhões de VA (18x mais que Francinópolis) e evolução de +1,43 — é a prova do desperdício. 42% de toda a riqueza do território passa por ela. O IPS é 0,36 ponto maior que Francinópolis. A eficiência é a menor do grupo.
  • Inhuma — R$ 33,9 milhões de VA e evolução de +0,04 — é o retrato da estagnação. A cidade mais rica entre as quatro menores é a que menos avançou: 84 vezes menos crescimento que Francinópolis.
  • Pimenteiras e Novo Oriente evoluíram bem (+2,05 e +2,50), mas partem de bases tão baixas que ainda estão no fundo. O desafio não é continuar crescendo — é acelerar o ritmo.
  • A tese central: no Vale do Sambito, o VA ICMS 2024 prova que a riqueza existe e circula. O IPS 2026 prova que ela não chega à população. As 12 subdimensões mostram onde — saneamento, saúde, direitos individuais e ensino superior. O ranking de evolução mostra quem está mudando (Francinópolis) e quem está parado (Inhuma, Valença). Falta agora a última camada: seguir o dinheiro — contratos, licitações e execução orçamentária.

 


 

6. O Contraste que Incomoda

Enquanto esses cinco municípios patinam, São Félix do Piauí (IPS 64,19) e Elesbão Veloso (IPS 63,18) — ambos do mesmo Vale do Sambito — estão entre os dez melhores do Piauí, superando cidades muito maiores e mais ricas. São Félix, com menos de 3 mil habitantes, ocupa a 5ª posição estadual; Elesbão Veloso, a 7ª.

 

O que explica a diferença? Os dados disponíveis no IPS Brasil 2026 mostram que o abismo se concentra nas dimensões de Necessidades Humanas Básicas (água, saneamento, moradia) e Oportunidades (inclusão social, acesso ao ensino superior, direitos individuais). Enquanto cidades como São Félix conseguiram universalizar o acesso a água tratada e esgotamento sanitário — impulsionadas por investimentos municipais e parcerias estaduais —, municípios como Pimenteiras e Novo Oriente ainda convivem com indicadores precários nessas áreas.

 

Para se ter uma ideia do fosso: a diferença de 8,62 pontos entre São Félix (64,19) e Pimenteiras (55,57) é maior do que a distância que separa a melhor capital do Brasil, Curitiba (71,29), de cidades como Teresina (66,02). No IPS, essa diferença equivale a patamares inteiros de desenvolvimento.

 


 

7. O dinheiro não explica tudo

Valença do Piauí, maior economia do território, tem o melhor PIB per capita entre os cinco piores — e ainda assim registra IPS inferior ao de cidades muito menores e mais pobres, como Prata do Piauí (62,28) e Santa Cruz dos Milagres (61,33). O dado reforça uma tese central do IPS: crescimento econômico não é sinônimo de progresso social.

 

O índice foi desenhado justamente para captar o que o PIB não mostra: se as pessoas têm acesso a saúde de qualidade, se as crianças estão de fato aprendendo na escola, se as famílias têm água potável e saneamento, se os cidadãos podem exercer seus direitos e liberdades individuais. E é exatamente nessas dimensões que os cinco municípios mais frágeis do Vale do Sambito tropeçam.


 

8. O que o IPS revela sobre o futuro do território

O Vale do Sambito é um retrato em miniatura do Brasil real. Nele convivem, lado a lado, realidades que parecem de séculos diferentes. Enquanto duas cidades conseguem oferecer a seus moradores padrões de vida comparáveis aos melhores do estado, outras cinco — 45% dos municípios do território — falham em garantir o básico.

 

Os dados do IPS Brasil 2026 não deixam margem para dúvidas: a qualidade de vida no Vale do Sambito não é homogênea porque os investimentos públicos também não foram. As cidades que avançaram tiveram gestões que priorizaram saneamento, atenção básica à saúde e inclusão social. As que ficaram para trás — Pimenteiras, Novo Oriente, Inhuma, Francinópolis e Valença do Piauí — precisarão de mais do que promessas. Precisarão de um choque de prioridades.


Ajude-nos a melhorar!

Esta reportagem foi construída exclusivamente a partir do cruzamento de bases de dados públicas e oficiais: o IPS Brasil 2026 (Imazon), o Valor Adicionado ICMS 2024 (TCE-PI), os rankings de evolução dos 224 municípios do Piauí e os censos demográficos do IBGE. Cada número aqui publicado pode ser verificado por qualquer cidadão nas fontes originais.

 

Diferentemente do procedimento jornalístico clássico, esta edição não buscou previamente as prefeituras dos cinco municípios para comentar os dados. A razão é simples e deve ser dita com a transparência que o leitor merece: o Farol Municipal é um veículo em estruturação, e o ciclo de apuração desta primeira investigação se encerrou antes que os contatos institucionais fossem estabelecidos.

 

Isso não diminui a obrigação do jornalismo de publicar — os dados são públicos, a metodologia do IPS é aberta e os números falam por si. Mas significa que esta é uma reportagem aberta, não um veredicto final.

 

O espaço para manifestação está aberto. As prefeituras de Pimenteiras, Novo Oriente do Piauí, Inhuma, Francinópolis e Valença do Piauí podem, a qualquer tempo, enviar suas respostas, esclarecimentos ou contestações à redação. A reportagem será imediatamente atualizada com a versão de cada gestor, e uma nova edição será publicada com as réplicas na íntegra — sem cortes, sem edições que descaracterizem o teor.

 

Acreditamos que o jornalismo não é um monólogo sobre os fatos, mas um diálogo com a realidade. E este diálogo, no caso do Vale do Sambito, está apenas começando. Fale conosco: Whatsapp 89.99465-9661.

 


Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.                                 

Por: Wedson Bezerra Pereira – Analista Sênior em Gestão Pública. Criador do MGI – Método Gestão de Impacto.
Do FAROL MUNICIPAL, em Teresina-PI, 26 de julho de 2026

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